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Na manhã desta quarta-feira (17), os cerca de 2,6 mil trabalhadores e trabalhadoras sem-terra, das organizações de garimpeiros, pequenos produtores rurais e juventude urbana do Pará, ocuparam parte do eixo ferroviário que corta o Projeto de Assentamento Palmares II (município de Parauapebas), cuja concessão de uso é da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). Os manifestantes participam desde a última segunda-feira (15) da Jornada de lutas pela Reforma Agrária e em defesa dos recursos naturais do povo brasileiro.
Tendo como eixo principal a reestatização da Companhia Vale do Rio Doce, a corajosa ocupação conta com o apoio decidido do PSOL.
Abaixo o manifesto lançado pelas entidade promotoras da manifestação.
PORQUE ESTAMOS NOS MOBILIZANDO?
REIVINDICAÇÕES COMUNS DA SOCIEDADE EM DEFESA DA REFORMA AGRÁRIA E DAS RIQUEZAS NATURAIS DO POVO BRASILEIRO.
-Ao Governo Federal, Governo Estadual, Governo Municipal e Companhia Vale do Rio Doce-
Estamos na Amazônia brasileira, envolto a maior província mineral do
planeta, seguramente área de maior concentração de capital natural
(floresta, água, minério e biodiversidade) e de populações
tradicionais, para o grande capital não passa de uma fronteira em
expansão.
De um lado o "progresso" oficial organizado pelo Estado a partir da
atuação dos seus organismos e do capital internacional aliado aos
interresses dos empresários locais. Um modelo de desenvolvimento
sócio-econômico baseado no latifúndio e na pecuária extensiva, no
desflorestamento para produção de carvão vegetal, na monocultura do
eucalipto e da soja, na mineração e siderurgia.
Do outro lado, - apesar da riqueza natural da região -, uma
população pobre e miserável desprotegida das condições que proporcione
uma vida digna e dos serviços públicos que deveriam ser oferecidos pelo
Estado. Dados do IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada -
demonstram a insustentabilidade desse modelo, de má distribuição de
riqueza e renda: 295 mil pessoas dominam 11% de toda a riqueza enquanto
11 milhões de habitantes, ou seja, metade da população da Amazônia
possuem 16% da renda percapita.
Alienada da sua condição política, a sociedade paraense padece de
males comuns: a falta de infra-estrutura social, moradia, saúde,
segurança, emprego e reforma agrária. Estes, são demonstrativos de como
esse modelo de desenvolvimento inviabiliza a sociedade de ascensão
sócio-econômica ao mesmo tempo em que nega a ela mecanismos de controle
e gestão sobre suas riquezas naturais.
Diante disso, as Organizações sociais do campo e das cidades
(camponeses Sem Terra, Garimpeiros, Associação de moradores,
estudantes), mobilizados na Jornada de luta pela reforma agrária e em
defesa dos recursos naturais do povo brasileiro apresentam aos governos
Federal, Estadual e Municipal e a Companhia Vale do Rio Doce a pauta
política e econômica a ser atendida de forma imediata, pois representa
os interesses da sociedade que não pode e não tem mais porque esperar.
1. Reestatização da Companhia Vale do Rio Doce como forma de devolver
ao Estado nacional e ao povo brasileiro uma empresa de caráter
estratégico para a economia e a soberania nacional.
2. Que o governo do estado do Pará (governadora Ana Julia Carepa)
assuma uma outra postura em relação a Companhia Vale do Rio Doce.
- Articule uma frente de Estados mineradores onde a CVRD atua para
que seja construído um novo imposto sobre a mineração e ao mesmo tempo
estabeleça uma campanha para o fim da lei Kandir que beneficia apenas
as empresas exportadoras.
- Que defenda o Departamento Nacional de Política Mineral (DNPM)
como orgão responsável pela liberação de concessões minerais e não seja
repassada as empresas privadas esse papel.
- Que os municípios mineradores se articule na luta pelo aumento dos
Royat´s, ( CFEM- Contribuição Financeira pela Exploração Mineral ) hoje
entorno de 4%, muito aquém dos lucros da Companhia. Que Chegue até 10%
de toda a riqueza produzida.
- Que a SECTAM (secretaria de meio ambiente do Estado do Pará)
revise periodicamente os impactos ambientais nas áreas de influência do
grande projeto Carajás.
3. Que Companhia Vale do Rio Doce corte o repasse de ferro as
(Empresas de Ferro Gusa) instaladas no Pará e no Maranhão que não
cumpram responsabilidade ambiental e social.
4. Que o governo Federal através das suas instituições, Governo do
Estado, CVRD, e Governos municipais, sejam responsáveis por um programa
social de caráter emergencial nas áreas:
- Construção de moradias populares.
- Construção de postos de saúde, construção do hospital regional de
Parauapebas e Tucuruí, fortalecimento do hospital regional de Marabá e
Redenção com profissionais capacitados para atender as necessidades da
sociedade.
- Implementação de um amplo programa de educação: de erradicação do analfabetismo ao acesso a universidade pública.
- Instalação de unidades produtivas que garantam a geração de mais empregos e diversificação da economia.
- Segurança social;
5. Que o Distrito Florestal de Carajás colocado em pauta pelos
governos Federal e Estadual para ser implementado nessa região (baseado
no plantio de eucalipto para carvão vegetal e uso da floresta natural)
seja substituído pelo Distrito Agroflorestal Sustentável (que significa
reflorestar com arvores nativas da região e garantia da biodiversidade)
6. Que os governos Federal e Estadual resolvam o problema histórico dos garimpeiros de Serra Pelada:
- Aprovação no congresso nacional do estatuto do garimpeiro (a)
- Que o Estado brasileiro devolva aos garimpeiros (as) recursos
depositado em forma de ouro na caixa econômica federal há mais de 20
anos.
- Que os garimpeiros tenham autonomia sobre o território de Serra
Pelada, que seja cessada a ingerência da CVRD sobre a forma de
cooptação e repressão das organizações dos garimpeiros.
7. Que os Governos, Federal e Estadual construam a curto prazo a
Escola Agrotécnica Federal, em Marabá; e o campus Avançado da UFPA
(Universidade Federal do Pará) e da UEPA (Universidade Estadual do
Pará.) em Parauapebas.
8. Que os processos trabalhistas em que a Companhia Vale do Rio Doce
esteja citada sejam imediatamente julgados, assim como ressarcidos os
direitos trabalhistas dos trabalhadores. Como também seja revisto pela
justiça do trabalho o salário praticado pela Companhia Vale do Rio Doce
e as empresas terceirizadas que são hoje os salários mais defasados do
país.
9. Que seja criado um Conselho Deliberativo com representantes do
Estado, da CVRD e da sociedade civil para discutir e deliberar sobre os
projetos de mineração e de uso de recursos ambientais da região. Que
acompanhe e decida o programa de investimentos dos recursos destinados
pela CVRD aos municípios, com apresentação de projetos de acordo com os
interresses locais.
10. Implementação de um pólo industrial na região de Carajás para
verticalização da produção (que agregue valor industrial aos recursos
naturais extraídos na região) na transformação de produtos
manufaturados de interesse da sociedade, com a produção de utensílios
eletrodomésticos, peças industrias que atendam a demanda local.
11. Que seja realizado um amplo programa de Reforma Agrária na
região, considerando o bioma regional e as características da
agricultura amazônica. Que seja criado assentamentos de forma imediata
em todas as fazendas ocupadas pelas famílias Sem Terra. Que o INCRA
venha ter uma regularidade na liberação de recursos para ATES.
12. Que a Companhia Vale do Rio Doce repasse sistematicamente os
recursos dos acordos estabelecidos entre ela e as Comunidades indígenas
impactadas pelo grande projeto Carajás.
13. Que o governo Federal através da ELETRONORTE estabeleça a tarifa
social de energia para a sociedade e um amplo projeto de "LUZ PARA
TODOS" para os camponeses (as) da região. Aqui está estabelecida a
maior hidrelétrica do Brasil (hidrelétrica de Tucuruí) e a sociedade
paga a tarifa de energia mais cara do país. Que sejam suspensos os
subsídios de energia para os grandes projetos em detrimento dos
interesses da sociedade.
14. Que os governos Federal, do Estado do Pará e dos municípios da
região, estabeleçam um conjunto de medidas visando aparelhar e
resignificar a atuação da EMBRAPA e, assim direcionar a atuação da
mesma no fortalecimento da produção das comunidades rurais e
assentamentos de reforma agrária.
15. Que a Companhia Vale do Rio Doce estabeleça junto com os
movimentos sociais uma agenda para discussão de todos os projetos
minerais já implantados e a serem implantados na região.
Assentamentos Palmares
Parauapebas - Pará
15 de outubro de 2007
MST- CPT – MAB –MPA –VIA CAMPESINA:-Pa – UJCC – Sindicato dos
Garimpeiros de Serra Pelada – Articulação de Mulheres do Campo e da
Cidade – ASSOCIACOES DE MORADORES DE PARAUAPEBAS – GRUPO UNIAO
PALMARES
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