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Ata do I Seminário Anti-Racismo do P-SOL/SP Imprimir
José Henrique   
Ter, 11 de outubro de 2005 21:00

Realizado em 18/09/2005, na sede do P-SOL/SP, este 1° seminário se propôs a iniciar a discussão sobre a questão racial dentro do Partido,  levando em conta as experiências e trajetórias de companheiros e companheiras que hoje são militantes do Partido e que têm um acúmulo na luta anti-racista.

Entendemos que a luta anti-racista é a mesma luta que fazemos pelo socialismo, e por isso acreditamos que ela  não é só dos negros e negras do PSOL, mas do conjunto do Partido, que deve aproveitar o momento em que a árdua tarefa de legalização chegou ao fim, para colocarmos em dia as tarefas de discussão e elaboração política, bem como organizar e dar corpo às estruturas do Partido.

A discussão da questão racial, não deve servir apenas para que no Programa do Partido tenhamos um texto bem elaborado e arrumadinho, mas deve servir para armar o conjunto do Partido para a intervenção cotidiana e prática, já que o setor da classe trabalhadora, da juventude e da população pobre mais explorada tem a pele escura, e por isso é necessário termos condições políticas para enfrentar o debate e estimular à luta incorporando as suas reivindicações mais básicas este segmento da população que não é minoria , mas que não tem os direitos democráticos elementares.

Foi com estes objetivos que travamos uma primeira discussão cujos pontos principais reproduzimos aqui:

Houve uma polêmica, acerca da afirmação de que as condições geográficas africanas teriam facilitado a exploração da população negra, pois estes não tinham “tecnologia” e tinham um modo de vida que facilitava ao comerciante-traficante a exploração desta mão de obra.

Em oposição a esta idéia foi colocado que, apesar do racismo não ter surgido com os capitalistas, foram eles que melhor se aproveitaram dele para obterem lucros através do comércio e das divisões étnicos/raciais, que haviam no continente africano, entre as diferentes tribos e nações.

Não achamos que havia “tecnologia inferior”, mas uma tecnologia diferente que não era voltada exclusivamente para a guerra, mas sim para a sobrevivência. A tecnologia do comerciante-traficante era voltada para o comércio e para a exploração de outras culturas, por isso desenvolveram a pesquisa em armas, embarcações e outros apetrechos que facilitavam as navegações que tinham o objetivo de obterem lucros no “descobrimento” de outras terras.

E citamos, com base no que foi a guerra civil em Ruanda que resultou em conflitos armados entre guerrilhas tutsis e hutus. As potências européias e norte americanas lavaram as mãos e armaram os guerrilheiros. Os massacres das populações civis de tutsis em Ruanda foram feitos com  facões e machados contrabandeados e com certeza enriqueceram comerciantes capitalistas. Esta tática não foi diferente da tática usada pelos comerciantes de escravos desde o ano de 1500.

Discutimos também que não podemos ficar de braços cruzados esperando a chegada do socialismo para acabar com o racismo, mesmo porque,  será na luta cotidiana por demandas específicas que milhões perceberão a necessidade do socialismo.

A luta anti racista é uma luta que deve ser feita pelo conjunto da classe trabalhadora e não só pelos negros e negras por isso devemos  incorporar as reivindicações dos movimentos e comunidades negras, atraindo estas para a perspectiva de superar o capitalismo.

O capitalismo de forma hábil se utiliza das diferenças religiosas, étnicas , de gênero e de cor de pele que existe entre as populações para dividí-las , favorece umas em detrimento de outras, é por isso que no Brasil os setores da população que tem a pele mais escura é duplamente discriminado, o é por ser pobre e também por ser negro(a).

E por isso que somos favoráveis  às políticas compensatórias ou reparatórias, entendendo que estas políticas são táticas, e que não resolverão o problema da discriminação, particularmente no que diz respeito às cotas nas universidades públicas, somos favoráveis mas a sua defesa deve vir acompanhada de mais verbas públicas para as universidades públicas, fim do vestibular, vagas para todos àqueles que queiram ingressar na universidade pública.

Não somos favoráveis ao PROUNI, pois defendemos verba pública para universidade pública e fim do ensino privado. UNIVERSIDADE PÚBLICA PARA TODOS. Ao jovem que ingressa numa universidade privada através do PROUNI devemos chamá-lo à organização na luta pela universidade pública.

Foi consensual de que devamos apoiar e caminharmos juntos com os movimentos HIP HOP e outros movimentos negros que tenham uma crítica social à política racista dos governos.


Encaminhamentos

- Solicitar para a Coordenação Estadual a participação na próxima Plenária com um tempo mínimo de 2 (duas) horas para que possamos apresentar a discussão racial e abrirmos a discussão para o conjunto da militâncias e simpatizantes;

- Organizar Seminários com os temas : História da África, Origem do racismo e política públicas para os negros(as);

- Ter como indicativo os 3°s domingos do mês para reuniões do Coletivo anti racismo;

- Próximo seminário dia 16/10/05 na R. do Carmo 164 sala 4 -  das 09 às 14 horas.


Ata escrita por José Henrique do Núcleo P-SOL/Centro e enviada por e-mail previamente aos membros que participaram deste I Seminário para as correções.

 
 
 
 
 
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