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Flagrado numa conversa em que negociava o saque e divisão de R$ 2 milhões do Banco Regional de Brasília, o ex-governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, também do PMDB, foi outro senador alvo de representação do PSOL. Sem resistir às acusações, Roriz optou por renunciar ao cargo, antes mesmo que a representação chegasse ao Conselho de Ética. Deixou em seu lugar o suplente, Gim Argello, que responde a uma série de processos e também é citado na Operação Aquarela, a mesma que resultou na gravação em que Roriz tratava da divisão do dinheiro de origem duvidosa. Por isso, o PSOL decidiu representar contra o suplente, mas desta vez a representação foi rejeitada pela Mesa do Senado sob a alegação de que os supostos atos ilícitos foram cometidos antes que assumisse o mandato.
O PSOL, contudo, não aceitou a decisão e recorreu ao plenário do Senado. O documento, protocolado há quase dois meses, está parado na Mesa, numa atitude clara de protelação e desrespeito ao direito do Partido de contestar a decisão na instância superior, que é o plenário formado pelos 81 senadores. Além do recurso no Senado, o PSOL recorreu ao Supremo Tribunal Federal, ainda não havendo decisão sobre o assunto. O PSOL defende que ética e decoro não têm prazo de validade e nem data para iniciar, por isso avalia que mesmo os atos cometidos antes do exercício do cargo devem ser apurados com rigor e, comprovada a culpa, levar à perda do mandato. Na representação, o partido argumenta que “a vida pregressa de um parlamentar deve antes garantir proteção à probidade administrativa e à moralidade no exercício do mandato. Deve garantir um governo bom, honesto, equânime, justo e decente. Um governo dos cidadãos dignos e honrados. Do contrário, podemos afirmar que as cláusulas programáticas do país restarão fortemente comprometidas”. O PSOL argumentou, também, que Argello foi eleito na mesma chapa de Roriz e, por isso, deveria estar sujeito à mesma punição em caso de envolvimento em corrupção: “Os atos de um membro da chapa desbordam necessariamente nos outros componentes da candidatura e a condição de suplente de senador lha dá a condição de parlamentar não empossado. O suplente de senador é um representante do povo brasileiro, eleito numa chapa e diplomado pela Justiça Eleitoral”. Gim Argello responde a uma série de ações que foram incluídas na representação do PSOL. Entre elas, a de que teria recebido lotes para facilitar a regularização de um condomínio na Capital Federal. Isso, sem contar as recentes denúncias que vieram à tona com a operação Aquarela. Realizada em conjunto pela Polícia Civil, Receita Federal e Ministério Público Federal do Distrito Federal e Territórios, resultou na prisão de dezenove pessoas em São Paulo, Distrito Federal, Goiás e Paraná, suspeitas de participarem de uma suposta quadrilha que desviava verbas públicas. Entre os presos estava Tarcísio Franklin de Moura, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), o mesmo de onde sairiam os R$ 2 milhões para Roriz e seus amigos. Os suspeitos eram investigados há vários meses por crimes contra a administração pública, fraude em licitação, peculato, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Apesar de todos os indícios, contudo, no que diz respeito a Argello, as denúncias podem ficar em branco no Senado. A decisão está nas mãos do plenário e da Justiça.
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