| 1905: O ensaio geral |
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| Escrito por Bernardo Corrêa | |||||||||
| Ter, 30 de Outubro de 2007 00:00 | |||||||||
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O objetivo comum das classes que participaram da Revolução Russa de 1905 era a derrubada da monarquia aristocrática. A burguesia apostava na mudança de regime para governar e industrializar o país. Mas, os camponeses pobres e os operários buscavam uma transformação significativa de suas condições de vida, que só poderia ser conquistada por meio de uma mudança radical de toda a sociedade.Além da derrota russa na guerra contra o Japão, o principal fator a determinar a ruptura das massas com a monarquia foi o episódio que ficou conhecido como Domingo sangrento: no dia 9 de janeiro de 1905, mais de mil trabalhadores foram massacrados pelos cossacos quando participavam de uma manifestação pacífica em frente ao palácio imperial, onde pretendiam entregar uma carta ao czar com suas reivindicações, essencialmente democráticas. A partir desse momento, tiveram início as revoltas camponesas, houve um inusitado crescimento das greves e surgiram os Soviets (Conselhos) de Operários, particularmente nas grandes cidades como Petrogrado. A explosão revolucionária também contagiou as tropas. Os marinheiros, na maioria ex-operários, chegaram a tomar o navio insígnia do império, o Encouraçado Potenkin, e resistiram até o fim. O czar se vê forçado a convocar a Duma (Parlamento), a aceitar o sufrágio universal e uma nova Constituição medianamente liberal. Mas isso não passa de uma trágica caricatura: em 1906, por decreto, é criado um Conselho que restringe fortemente os poderes do Parlamento. Na primeira Duma (boicotada pelos socialistas), o Partido Cadete (liberal), elege um grande número de deputados. Pouco tempo depois ela é dissolvida pela autocracia. Uma segunda Duma é convocada, desta vez os socialistas são maioria, mas o destino é o mesmo do Parlamento anterior: a extinção pela força. A repressão seria implacável. Em 1917, analisando o “ensaio geral” da Revolução de Outubro, Lênin afirma: “A massa dos explorados nunca poderia ter sido arrastada para o movimento revolucionário se não tivesse sob os olhos exemplos diários a mostrar-lhe como os operários assalariados de diversos ramos da indústria obrigavam os capitalistas a melhorar, imediatamente, na hora, a sua situação. (...) Foi só então que a Rússia da servidão, tolhida no seu torpor, a Rússia patriarcal, pia e submissa, despiu a pele do homem velho, foi só então que o povo russo recebeu uma educação verdadeiramente democrática, verdadeiramente revolucionária.” Apesar da derrota, a Revolução de 1905 permitiu observar, ainda que de forma incipiente, as forças motrizes do movimento que iria mudar a história da Rússia e do mundo em outubro de 1917. Os soviets foram o principal instrumento de organização das massas para a ação e o embrião de um novo tipo de Estado, controlado pelas maiorias que subverteram o antigo regime. A correta interpretação das lições de 1905 levou os socialistas a fortalecer e aperfeiçoar outra ferramenta indispensável: o partido revolucionário que dirigiu as massas à vitória. Revolução Russa de 1917: de fevereiro a outubro ...”Embora, como é evidente, saibamos que cada povo, cada classe e até cada partido se educam principalmente a partir da sua própria experiência, de modo nenhum isto significa que a experiência dos outros países, classes e partidos seja de pouca importância. Sem o estudo da grande Revolução Francesa, da Revolução de 1848 e da Comuna de Paris, nunca teríamos realizado a revolução de Outubro, mesmo com a experiência de 1905. Mas, para o estudo da revolução vitoriosa de 1917, nem sequer realizamos um décimo do trabalho que dispendemos para a de 1905. É certo que não vivemos num período de reação, nem na emigração. Em contrapartida, as forças e os meios de que atualmente dispomos não podem ser comparados com os desses penosos dias.(...) É preciso que todo o nosso Partido, e particularmente as Juventudes, estudem minuciosamente a experiência de Outubro, que nos forneceu uma verificação incontestável do nosso passado e nos abriu uma ampla porta para o futuro”. Leon Trotsky. As Lições de Outubro 23 a 27 de fevereiro. Revolução de Fevereiro. Queda da monarquia czarista. Em São Petersburgo (que a partir de 1914, início da 1ª Grande Guerra, passou a chamar-se Petrogrado) eclodem grandes demonstrações populares, exigindo “pão e paz”, que começam no Dia da Mulher. Os manifestantes chegam a confraternizar com as tropas enviadas para reprimi-los. As greves econômicas ganham conteúdo político. Como na Revolução de 1905, são formados Soviets de deputados operários, camponeses e soldados. 2 de março. Formação do primeiro governo provisório, presidido pelo conde Lvov; o trabalhista Kerensky é designado vice-presidente. A Revolução de Fevereiro dá lugar a um governo de coalizão entre partidos burgueses constitucionalistas (cadetes) e partidos socialistas reformistas (mencheviques, trudovikes - o partido de Kerensky - e socialistas revolucionários, com base principalmente de camponeses). Também entre os bolcheviques, na ausência de Lênin, predomina na direção do partido a posição de apoio crítico ao governo provisório. 3 de abril. Lênin volta do exílio. Publicação das Teses de Abril, na quais sustenta a necessidade de que todo o poder passe aos Soviets e que os bolcheviques devem convencer as massas, por meio da agitação, da necessidade de derrubar o governo provisório para pôr fim à guerra, assegurar o pão para o povo e a terra para os camponeses. As posições de Lênin prevalecem no partido após um duro debate. 20 e 21 de abril. Grandes mobilizações dos Soviets em Petrogrado contra a política do governo provisório de prosseguir a guerra. 4 de maio. León Trotsky volta do exílio. Suas posições coincidem com as de Lênin e ele começa a trabalhar com os bolcheviques, filiando-se formalmente em julho. 6 de maio. Segundo governo de coalizão, no qual os mencheviques participam com seis ministros. Kerensky é designado ministro da Guerra. A principal palavra de ordem dos bolcheviques para o período é “Fora os ministros capitalistas!”. 3 de junho. Primeiro Congresso dos Soviets de toda a Rússia, com maioria dos reformistas. 18 de junho. Grandes demonstrações de massas em Petrogrado, convocadas pelo Soviet. 2 de julho. Crise do governo provocada pela renúncia dos ministros burgueses. 3 e 4 de julho (Jornadas de Julho). Em Petrogrado, a impaciência das massas leva a uma manifestação armada que exige que os dirigentes reformistas rompam a coalizão com os partidos burgueses e assumam o poder, com o apoio dos Soviets. O governo reprime a manifestação dos operários e soldados. 8 de julho. Terceiro governo de coalizão, presidido por Kerensky. Ofensiva do governo contra os bolcheviques, acusados de serem agentes do governo alemão. 25 de agosto. Tentativa de golpe de Estado. O general Kornilov, chefe do Exército, marcha sobre Petrogrado, mas é derrotado pelas massas. Lênin orienta: “disparar contra Kornilov apoiados no ombro de Kerensky”, apontando à unidade de ação com o governo para derrotar o general golpista. O governo de Kerensky perde toda credibilidade e, ao mesmo tempo, cresce a autoridade dos bolcheviques, que rapidamente conquistam a maioria do Soviet de Petrogrado e das principais cidades. 31 de agosto. O Soviet de Petrogrado aprova a resolução Todo o Poder aos Soviets! 13 de setembro. León Trotsky é eleito presidente do Soviet de Petrogrado. 15 de setembro. Novo governo de coalizão presidido por Kerensky. 10 de outubro. O Comitê Central do Partido Bolchevique vota por maioria a favor da insurreição. Os dirigentes Zinoviev e Kamenev se opõem e, em seguida, se demitem do Comitê Central, tornando pública sua posição. 12 de outubro. O Soviet de Petrogrado decide formar o Comitê Militar Revolucionário, que se empenha imediatamente na preparação da insurreição, sob responsabilidade de Trotsky. 24 de outubro. O governo provisório tenta impedir a circulação dos jornais bolcheviques. O Comitê Militar Revolucionário ordena desacatar a ordem. 25 de outubro. Insurreição e tomada do poder pelos Soviets de Operários Camponeses e Soldados, dirigidos pelos bolcheviques. Sob a direção do Comitê Militar Revolucionário, destacamentos da Guarda Vermelha (formada por operários armados) e tropas fiéis ao Soviet ocupam pontos estratégicos. A insurreição se estende rapidamente a Moscou e às principais cidades, os camponeses tomam as terras. 26 e 27 de outubro. Segundo Congresso dos Soviets de Operários, Camponeses e Soldados de toda a Rússia. Os bolcheviques têm a maioria e contam com o apoio dos socialistas revolucionários de esquerda e dos mencheviques internacionalistas. O Congresso assume o poder e designa um novo governo revolucionário. Lênin é designado presidente do Conselho de Comissários do Povo. Primeiros decretos: controle das fábricas pelos operários, terra para os camponeses e o fim da guerra. Bernardo Corrêa - Militante da Juventude do PSOL.
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