| Que regime é esse? |
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| Escrito por Milton Temer | |||||||||
| Ter, 30 de Outubro de 2007 00:00 | |||||||||
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“Uma ditadura do capital financeiro, que se apóia sobre uma ampla rede de organizações de massa; sobre o consenso organizado da maioria da população; um regime, em suma, radicalmente diverso das ditaduras conservadoras de tipo semiparlamentar ou militar”.Existe mais apropriada definição para o governo Luiz Inácio Lula da Silva? Excluindo a cúpula decisória do Banco Central (autônoma em relação ao governo, mas absolutamente subalterna às definições macroeconômicas determinadas pelos grandes banqueiros), que outro segmento das chamadas “instituições republicanas”, ou da quase totalidade da fluida “sociedade civil”, resistiu à cooptação pelo Palácio do Planalto durante o atual governo? Seria por acaso exagero dizer que este governo terá sido mais eficaz na proteção do grande capital do que o foi o de FHC? Sim, porque durante o mandarinato tucano-pefelista, as esplanadas de Brasília eram ocupadas pelo falecido PT e pela CUT, e até pela aparelhada UNE, quando grande parte dos ataques contra o patrimônio público e a democratização do Estado era posta em prática. Onde estão essas outrora combativas instituições nos dias atuais? Discursando como discreta oposição, mas operando, na verdade, como base fiel de sustentação do lulismo. Ah, mas a “esquerda petista” conseguiu introduzir o apoio ao plebiscito pela anulação do leilão da Vale no último congresso petista, lembrará algum incauto, sem atentar para o fato mais importante. Não demorou um minuto para que a inócua resolução fosse fulminada por quem concretamente decide os destinos da sigla – Lula e Zé Dirceu – ambos contrários a qualquer desconforto do presidente da empresa (e, pasmem, membro do Conselho administrativo da Petrobrás!!). Dirceu, por sinal, chegou a perder a compostura. Alegou não haver por que reestatizar a Vale tendo em vista a “eficácia” lucrativa da empresa depois de privatizada. Ou seja: o “capo” do partido, hoje estabelecido como “consultor” de grandes predadores internacionais, considera não ser correto atacar setor capitalista “eficaz” na luta pelo “socialismo sustentável” que a legenda resolveu inventar para justificar sua vergonhosa guinada doutrinária. Indo aos finalmente, vale citar que o primeiro parágrafo deste desabafo não foi redigido em atenção à conjuntura atual. Trata-se apenas da forma como Carlos Nelson Coutinho caracteriza o regime fascista de Mussolini, no indispensável livro Gramsci , um estudo sobre seu pensamento político, editado pela Civilização Brasileira, anos antes de o lulismo chegar ao Planalto. Que se acalmem, portanto, as idelis da vida, pois a referência é minha. Como responder a isso? De pronto, recuperando o exemplo do próprio Gramsci, que viveu tempos bem mais difíceis, para compreender que tal cenário cheio de obstáculos não pode ser razão de imobilismo. Pelo contrário; torna-se urgente a ação direta dos militantes do PSOL para que os espaços existentes não sejam ocupados pelos transformistas, através de suas demagógicas políticas assistencialistas. Nossa bancada parlamentar federal, aliás, vem dando exemplo disso, no Senado e na Câmara. Mas há ainda a retomada das lutas sociais com as ameaças mais recentes do governo Lula aos direitos cidadãos da educação e seguridade social públicas. E é neste contexto que devemos encarar as campanhas municipais que se aproximam: transformando o período em que a cidadania sai da pachorra para transformá-las em canal essencial de nossa afirmação programática e doutrinária. Só depende de nós. Milton Temer é Jornalista e Presidente da Fundação Lauro Campos.
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