Solidariedade ao deputado Carlos Giannazi PDF Imprimir E-mail
Escrito por Mandato - Ivan Valente   
Ter, 27 de Novembro de 2007 15:19

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, queremos manifestar a nossa solidariedade e apoio ao deputado estadual Carlos Giannazi, companheiro de partido e de inúmeras lutas, em especial, na defesa da educação pública. Giannazi está sob ameaça de ter o seu mandato punido, não por aqueles motivos que nos acostumamos a ver nas casas legislativas, inclusive aqui na Câmara Federal, mas pela sua luta contra o preconceito, contra a homofobia e em defesa dos direitos dos homossexuais.

Carlos Giannazi organizou o lançamento da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da Comunidade GLBTT na Assembléia Legislativa de São Paulo (ALESP). O intuito do parlamentar, evidentemente, com a criação desta Frente é dar voz e visibilidade à comunidade GLBTT e, denunciar a perseguição e violência a que estão expostos os homossexuais. Tanto que a Frente foi aprovada pela presidência da ALESP e constituída por 15 deputados.

Como o deputado Carlos Giannazi narra na nota pública emitida por seu mandato para esclarecer os fatos, o evento de lançamento da Frente Parlamentar aconteceu no dia 24 de outubro, na ALESP. A atividade foi aberta ao público e noticiada pela imprensa, houve a presença de vários segmentos da comunidade GLBTT, inclusive de pastores evangélicos que apoiaram a iniciativa de lançamento da Frente. Houve também a apresentação artística de uma dança solo, protagonizada por um transformista homossexual que, utilizou a sua arte e sua alegoria corporal dentro do contexto artístico para celebrar a iniciativa da Frente.

Mas os setores conservadores da ALESP entenderam o lançamento da Frente e, em particular a dança, como quebra de decoro parlamentar. Agora pedem punição de Carlos Giannazi.

Repudiamos esta tentativa de coibir o exercício legitimo da ação parlamentar de um deputado eleito pelo povo de São Paulo e que tem um histórico de luta contra o preconceito e a intolerância. É necessário lembrar que uma Casa Legislativa deve ser o espaço legítimo para expressar a diversidade, a pluralidade de opiniões e de valores. Essa reação conservadora só vem confirmar que a homofobia é algo presente na sociedade. Não éa toa que a grande imprensa tenta folclorizar o ocorrido, assim como fazem cotidianamente com os homossexuais.

A reação dos conservadores também demonstra como foi acertada a iniciativa da criação da Frente Parlamentar, como é necessário travar uma luta cotidiana pelo combate a qualquer forma de discriminação, preconceito ou intolerância. Mesmo num local que deveria ser destinado a celebrar a democracia e as diferenças humanas, ainda sobrevive o preconceito que procura se apegar em questões formais para deslegitimar a livre manifestação de opiniões.

Temos a compreensão que os deputados da ALESP terão o discernimento necessário e a clareza política para compreender que não houve quebra de decoro parlamentar, pelo contrário, o lançamento da Frente valorizou a ação parlamentar, a colocou mais próxima de direitos legítimos de uma parcela da população de São Paulo que é vítima cotidiana do preconceito.

Reafirmamos o nosso apoio incondicional ao deputado Carlos Giannazi, assim como à luta do povo brasileiro contra as opressões de classe, gênero, etnia e orientação sexual.

Muito obrigado.

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