I Congresso avança na consolidação do PSOL PDF Imprimir E-mail
Escrito por Edson Miagusko   
Sáb, 29 de Setembro de 2007 22:00

Dias saudáveis, sol ameno, Praia Vermelha no Rio de Janeiro. Durante quatro dias (7 a 10 de junho) centenas de militantes circulam a procura de encontros políticos, reuniões de tendências, debates em grupos, plenárias, banquinhas de livros tendo em exposição uma variedade de títulos de Marx, Plekhanov, Florestan, Rosa Luxemburgo, dentre outros. Era o cenário do I Congresso Nacional do PSOL que acontecia, após três anos de fundação do partido, antecedido por debates e legitimado pela eleição na base de 745 delegados.

Um novo partido contra a velha política

O I Congresso inovou em quatro aspectos. Primeiro, no processo de eleição de seus delegados, eleitos diretamente nos núcleos de base do partido (sem paralelo na esquerda brasileira). Segundo, no amplo e rico debate interno, que colocou lado a lado mais de quatorze teses durante alguns meses, discutindo estratégia, programa, concepção de partido, conjuntura e setoriais. Em terceiro lugar, na escolha de sua direção em chapa, com proporcionalidade direta e qualificada, onde a própria presidente do PSOL, Heloísa Helena, foi eleita. E, finalmente, em quarto lugar, pelo lugar escolhido para a abertura simbólica do Congresso, a favela da Maré, onde o PSOL fez uma aliança com o povo pobre, exatamente o que mais sofre com o Estado policial que impera nas periferias e subúrbios das grandes cidades brasileiras.

O evento foi marcado por três fatos importantes que ocorreram no partido desde a sua fundação: o processo vitorioso de fundação e legalização do PSOL; o encontro de ex-militantes do PT, parlamentares, dirigentes sindicais e dos movimentos populares que romperam logo após o processo de eleições internas daquele partido; a importante campanha eleitoral de Heloísa Helena, e as candidaturas do PSOL e da Frente de Esquerda.

Debate programático e partido

Um dos eixos principais do debate pré-congressual foi o programa do PSOL. No centro, o balanço da esquerda, do governo Lula e das experiências latino-americanas, como Brasil, Venezuela e Bolívia. A ampla maioria dos delegados (mais de dois terços do plenário) defendeu teses que destacavam a importância da luta antiimperialista e antineoliberal, só possíveis a partir da ação concreta dos trabalhadores. Decorrente disso, o apoio aos processos de luta desencadeados na Venezuela, Bolívia e Equador e o apoio ao avanço de medidas que confrontam o imperialismo e a burguesia nesses países.

Esteve também presente no debate a questão de qual seria o partido necessário nessa quadratura histórica. A resposta do Congresso afirmou que a vocação do PSOL é ser um partido de tipo novo, que supere tanto a experiência petista, que abandonou os princípios da mudança social, quanto de outros partidos que não conseguiram ultrapassar os limites de uma auto-proclamada vanguarda. Assim, o PSOL se pretende um partido socialista, democrático e de massas, e entende que este deve ser o objetivo daqueles que querem construir um novo instrumento político diante do fim do ciclo PT.

A solidariedade à revolução bolivariana, manifesta no apoio ao fim da concessão à RCTV, rede de televisão que detinha o monopólio das comunicações na Venezuela e que foi encerrada pelo governo Chávez, foi uma das demonstrações inequívocas do apoio do PSOL aos processos mais avançados de lutas, mudanças e reformas que acontecem em nosso continente. A resolução aprovada sobre conjuntura internacional deixa claro o compromisso da militância psolista com aquilo que ocorre na América Latina (leia o Caderno de Resoluções).

Organizar, lutar e vencer

Ao final, quatro chapas se inscreveram. A grande vitoriosa foi Organizar, Lutar e Vencer, chapa encabeçada por Heloísa Helena, e composta pelos deputados Ivan Valente, Luciana Genro e Chico Alencar, o ex-prefeito de Belém, Edmílson Rodrigues, além de importantes intelectuais como Carlos Nelson Coutinho, Leandro Konder, Milton Temer e vários dirigentes sindicais e populares. Esta chapa recebeu o apoio de 63,4% do partido.

Apesar de haver diferentes chapas, o partido saiu unificado na sua principal tarefa: construção de uma forte oposição programática e de esquerda ao governo Lula e ampliação de suas forças nos movimentos sociais, procurando combinar luta de massas e luta institucional.

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