Transposição do rio São Francisco - Irracionalidade, autoritarismo, mentira e corrupção PDF Imprimir E-mail
Escrito por Edílson Silva   
Sáb, 24 de Novembro de 2007 22:35

Poucos temas políticos no Brasil carregam consigo tanta emoção quanto o projeto de transposição das águas do rio São Francisco. A luta contra este projeto tem sido feita de forma apaixonada, dos tribunais à beira do rio. O motivo tem a ver com o fato de que equivocar-se no trato com o Velho Chico pode gerar danos irreversíveis e conseqüências catastróficas ao meio ambiente. O cenário de aquecimento global torna o tema ainda mais dramático.

O projeto, orçado inicialmente em cerca de R$ 6 bilhões, contraria o acúmulo de conhecimento adquirido ao longo das últimas décadas por entidades e pesquisadores, que atestam com folga de argumentos que as soluções para os problemas de escassez de água no semi-árido estão no próprio semi-árido, como a utilização das águas das chuvas, construção de cisternas, entre outras medidas, a custos imensamente inferiores aos propostos no projeto do governo Lula.

A legislação brasileira que trata dos recursos hídricos garante que as comunidades das bacias hidrográficas têm o poder de decidir sobre os projetos envolvendo suas respectivas bacias. As comunidades da bacia do São Francisco são contra este projeto e defendem, em primeiro lugar, a revitalização do rio. Mas o governo desrespeita a legislação e as populações.

Para tentar passar tamanha irracionalidade e justificar seu caráter antidemocrático, o governo utiliza-se de mentiras e marketing. Afirma que o projeto levará água de beber para mais de 10 milhões de pessoas do semi-árido nordestino, e que os que se posicionam de forma contrária não querem matar a sede desses milhões. O governo tenta, assim, criar um conflito artificial entre regiões.

O que o governo esconde da população é que a água servirá para abastecer fábricas, fazendas de camarão e agricultura irrigada, que pela capacidade gigantesca de consumo de água, não seriam contempladas com projetos voltados prioritariamente para água de beber. E é exatamente isto que está em jogo. Vão sangrar o rio São Francisco até a morte para garantir água para indústrias e negócios capitalistas. Pior, a água para beber não chegará sequer a 25% da população que o governo diz que atingirá.

E tem mais. Como se trata de uma obra bilionária, a corrupção está impregnada no projeto. A Gautama, empreiteira corrupta desvendada na “Operação Navalha” da Polícia Federal, é uma das grandes beneficiadas com o projeto. Outras empreiteiras, que não foram contempladas nas licitações, estão com ações judiciais buscando reparar ilícitos no processo de escolha das empresas.

Em meio a tudo isso o povo luta como pode para defender o rio São Francisco e tudo o que ele representa. Ações judiciais, greve de fome, passeatas, debates e ocupações às margens do rio são algumas das ações que vêm sendo implementadas. No último dia 12 de agosto, uma caravana formada por movimentos sociais de defesa do meio ambiente, técnicos, especialistas, professores universitários e representantes do Ministério Público saíram de Belo Horizonte e irão percorrer quinze cidades brasileiras, alertando a população e autoridades e buscando apoio contra o projeto de transposição.

É tarefa da militância do PSOL somar-se a estas iniciativas, pois a luta contra a transposição combina a luta ecológica, a luta contra a lógica capitalista, por democracia e contra a corrupção.

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