| Greve das Universidades Federais: Unificar os que querem lutar |
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| Escrito por Bernadete Menezes | |||||||||
| Sáb, 29 de Setembro de 2007 22:51 | |||||||||
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As universidades brasileiras, como o conjunto do serviço público, tem sido vítima de sucessivos ataques. Governo após governo, os esforços são no sentido de restringir a universidade pública, deixando espaço aberto para o crescimento do ensino superior privado. Com o governo Lula não tem sido diferente. O modelo neoliberal de Reforma Administrativa do Estado, monitorado pelo Fundo Monetário Internacional, é aplicado na íntegra em nosso país. Foi indo na contracorrente deste projeto que nasceu a greve dos técnicos das universidades federais. Uma Reforma Administrativa está em curso Hoje, há quase três meses em greve, os técnicos de 46 universidades em todo o país lutam não apenas por dignidade salarial. Lutam contra uma Reforma Administrativa, fatiada em vários projetos, como a criação de Fundações Estatais, que começará pelos hospitais universitários, mas que é um modelo de gestão do Estado. Lutam contra o PLP 01 (Projeto de Lei Complementar) que congela salários do conjunto do funcionalismo federal por dez anos. Lutam contra o projeto de lei anti-greve. Contra a PEC 12 (Proposta de Emenda à Constituição), que prega um grande calote à dívida do governo com os trabalhadores do serviço público, etc. É possível lutar, é possível vencer O levou quase três meses para nos apresentar a primeira contraproposta. Porque a negociação de fato só começou agora? Não foi por falta de dinheiro: o superávit primário bateu recorde este ano, chegando a mais de 60 bilhões de reais. Mas Lula aposta na velha fórmula do desgaste do movimento, na campanha contra os servidores públicos, mas também, ao nos obrigar a uma greve tão longa, tenta convencer a população que sua tese de que greve é férias está correta. Apesar disso tudo, o movimento das federais pode se encaminhar para uma vitória. Vitória construída pelo amadurecimento do movimento dos técnicos, que conseguiram ficar acima das diferenças no interior do movimento, se unificar para enfrentar o governo Lula e obter conquistas. Mas também têm consciência que para derrotar a Reforma Administrativa em curso é preciso mais. Temos que unir o conjunto do funcionalismo público. Apostar na unificação dos que querem lutar para defender e conquistar direitos. Aumenta a crise na CUT O aprofundamento do curso neoliberal do segundo mandato do governo Lula, combinado a um aumento de lutas (Cosipa, metrô de SP, as Universidades, servidores federais, funcionalismo estadual, professores, policiais, etc.), está abrindo um momento novo. Com a ruptura de outros setores com a CUT. É expressiva a crise dos sindicatos rurais com o governo Lula/CUT devido ao ataque à aposentadoria rural, presente na nova Reforma da Previdência. E segundo, a decisão do PCdoB de sair da CUT e apontar a necessidade de uma nova central, é progressivo e qualitativo. Mas, sabemos que mesmo com este quadro mais positivo, não estamos imunes a manter o estágio atual de fragmentação. A possibilidade de um cenário sindical pulverizado de centrais ou coordenações sindicais por partido não está descartada. É contra isso que todos devemos combater. A unidade se constrói com autonomia e democracia O desafio está colocado. Agora, a Intersindical e a Conlutas devem, por um lado, seguir construindo calendários e pautas comuns. Por outro, chamar estes setores em choque com a CUT a engrossar estas iniciativa e, através da ação conjunta, propor uma saída organizativa comum. O que nos une é a necessidade de lutar pelos direitos e conquistas da classe trabalhadora e do povo pobre, independente de patrões, governos e partidos. E, para isso, necessitamos da mais ampla democracia. Só assim seremos capazes de superar as diferenças que temos e nos unirmos para enfrentar o ataque neoliberal para obter vitórias.
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