Oposição programática e de esquerda ao governo Lula PDF Imprimir E-mail
Escrito por Ivan Valente   
Sáb, 29 de Setembro de 2007 22:51

O primeiro semestre foi marcado pela retomada das lutas sociais, enquanto o governo marchava cada vez mais à direita, garantindo estabilidade com base no apoio dos partidos mais fisiológicos e ocupando o espaço político do PSDB e DEM/PFL. Esse cenário começou a mudar com o prolongamento da crise aérea, as denúncias contra Renan e o acidente do avião da TAM em Congonhas.

O cenário de maior desgaste do governo abriu caminho para que movimentos à direita retomassem fôlego e aflorasse toda a lógica autoritária e o preconceito de classe característico; que setores da alta-burguesia posassem como defensores da ética e da moralidade pública, fingindo que não houve corrupção nos governos anteriores e que a corrupção não é intrínseca à exploração e ao modelo econômico em voga.

O PT não tardou em acusar essas ações de movimentos golpistas, tentando reeditar a lógica direita versus esquerda, privilegiados contra explorados. Isso já não cola como antes, fica cada vez mais claro as opções conservadores deste governo, os ganhos espetaculares dos setores endinheirados, banqueiros à frente, não é à toa que todo ano é a mesma coisa, Bradesco, Itaú, Unibanco... batendo recordes de lucro.

O que podemos deduzir é que existe uma direita que trabalha em harmonia com o governo petista, usufrui da sua política, ganha os frutos da estabilidade econômica conservadora e da sua lógica de remunerar, como nunca, o grande capital, enquanto o governo garante sua popularidade com políticas compensatórias. Por outro lado, há setores que não aceitam o governo Lula, mesmo este fazendo tudo aquilo que atende aos interesses das elites, esses setores preferem apostar na volta dos tucanos ao poder e, portanto, trabalham efetivamente contra o governo, mas não contra o modelo econômico.

De qualquer forma, o governo Lula, quanto mais acuado, mais caminha à direita. Em meio à crise aérea, a solução encontrada é privatizar a Infraero, é colocar um ex-ministro tucano no ministério da Defesa, é reforçar a lógica das agências reguladoras e recuar do controle civil sobre o tráfego aéreo. O governo ainda trabalha com uma pauta que inclui a regulamentação do direito de greve no setor público; a criação de fundações para gerir os serviços de saúde, assistência social, cultura e comunicação; e não abandonou as reformas da previdência, sindical e trabalhista, pelo contrário, prepara nos bastidores fortes ataques aos direitos dos trabalhadores.

Para os movimentos sociais, a lógica é cada vez mais perversa, portanto não há outro caminho que não as lutas. O Congresso Nacional do PSOL, realizado em junho, apontou o caminho correto. Garantir a mobilização em torno do plebiscito pela anulação do leilão da Vale do Rio Doce, retomar a luta contra as reformas, combater a corrupção, além de garantir a presença dos movimentos sociais na pauta política do país. Isso só é possível articulando uma oposição de massa, programática e de esquerda ao governo Lula, que não se confunde nem se deixa confundir com a oposição de direita e o senso comum da mídia; e que é capaz de apresentar um outro projeto para o Brasil, um projeto que rompe com o modelo neoliberal, defende investimentos públicos para valer, garantia dos direitos e soberania nacional.

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