Abrir a janela do descontentamento popular PDF Imprimir E-mail
Escrito por Roberto Robaina   
Sáb, 29 de Setembro de 2007 22:51

Em fila, um a um, senadores de diversos partidos apertavam as mãos de Renan Calheiros. Sorrisos, tapinhas nas costas, gestos de solidariedade. Líderes do PT em primeiro lugar; em seguida, lado a lado, o PMDB governista, os Demos (ex-PFL) e os tucanos do PSDB. Não faltaram Suplicy nem Pedro Simon. Todos cumprimentando o presidente do Senado depois de seu discurso de defesa alegando que as acusações entravam no terreno da vida privada, não passando de normais infelicidades do cotidiano, às quais todos os senadores estavam sujeitos. Não faz muito tempo, a cena foi transmitida para todo o país.

Naquele momento a grande mídia fez a leitura correta: a população não engoliria o script dos partidos. De lá para cá as denúncias não cessaram, e desmoralizaram não apenas os argumentos de Renan – estapafúrdios desde o início – mas àqueles que, desconectados do pulsar das ruas e da tendência da chamada opinião pública, insistiam em defender a necessidade de não precipitar julgamentos, quando não defendiam Renan ainda mais abertamente.

A decisão do PSOL de entrar com a representação contra Renan Calheiros no Senado já havia significado uma alavanca mínima para abrir a janela do descontentamento popular. E o descontentamento cresceu. A mídia teve que manter a pauta. O presidente do Senado passou a ser reconhecido pelo que sempre foi, desde quando integrava a liderança do governo Collor: parte dos delinqüentes de luxo, como corretamente Heloísa Helena define os políticos vigaristas e corruptos.

A pressão deslocou o PSDB e os Demos. Setores do PMDB se distanciaram. Renan chacoalhou. Apostando na impunidade e nos interesses comuns da oposição de direita, e do PT na estabilidade política do regime neoliberal, jogou suas fichas para se manter. A consumação ou não de sua queda passou a ser uma queda de braço cujo resultado terá importantes implicações. Sua manutenção, embora provoque o descrédito absoluto da instituição imperial e reacionária do Senado, o que não é nada ruim, representa uma nova frustração para o povo, um reforço no sentimento de impotência, o que é péssimo!

A queda de Renan não recupera o prestígio perdido do Senado e fortalece o movimento de massas, a confiança do povo na força de sua pressão, de sua luta, das possibilidades de conquistas e de mudanças no país. Fortalece ainda mais o PSOL, único partido que, de fato, se empenhou desde o início no Fora Renan!

É evidente o acerto da campanha Fora Renan!

O combate à corrupção – não é pequeno o desperdício e o desvio de recursos daí originário -, além de uma óbvia necessidade para o desenvolvimento do país e melhoria da vida do povo pobre, conecta o partido com amplas camadas populares, cuja consciência anticorrupção é significativa, associando cada vez mais esta mazela a políticos e partidos políticos tradicionais.

Vemos, ademais, os primeiros sinais, ainda incipiente, de que o povo identifica estes partidos com as grandes empresas, com os bancos e com as empreiteiras. O categórico é que atacar a corrupção significa golpear o governo e os partidos da ordem neoliberal no seu ponto mais fraco. Ao atacar os políticos do grande capital estamos atacando o próprio capital.

Com esta política conseguimos, em alguns momentos determinantes, romper o bloqueio da mídia. Contra a opinião dos bem-pensantes das classes dominantes, que previram a eclipse da nossa agitadora número um, a presidente nacional do partido. Heloísa Helena se credenciou ainda mais como referência de coerência e coragem para enfrentar o governo e os corruptos.

Agora, além do nome de Heloísa, cresceu também a sigla do PSOL. Este diálogo com camadas populares fortaleceu o partido e nos permite avançar na construção de uma alternativa partidária representativa dos trabalhadores e do povo pobre. Uma alternativa capaz de apoiar as lutas, de impulsionar as mobilizações e de se postular na estratégia de luta por um novo poder político que é, em última instância, a saída para a crise moral, econômica, social e política do Brasil.

Comentários
Adicionar novo Busca
Comentar
Nome:
E-mail:
 
Website:
Título:
 
Por favor coloque o código anti-spam que você lê na imagem.

3.26 Copyright (C) 2008 Compojoom.com / Copyright (C) 2007 Alain Georgette / Copyright (C) 2006 Frantisek Hliva. All rights reserved."