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EDITORIAL PDF Imprimir E-mail
Página 50
Secretaria de Comunicação   
Ter, 05 de Janeiro de 2010 10:34

Apesar dos índices de popularidade do governo Lula, o que se vê não são rosas no duro caminho do povo brasileiro e dos trabalhadores. Apesar da aparente calmaria, o Brasil real é diferente do país apresentado pelo governo e pelos jornalões de plantão. Não passa uma semana sem que as camadas populares sejam vilipendiadas nos seus direitos básicos: a criminalização da pobreza, a explosão da violência, o desmanche dos direitos de educação e saúde são a prova de que nem tudo vai bem. Enquanto isso, também se criminaliza aqueles que lutam, num agravamento do processo de perseguição de ativistas dos movimentos sociais, do qual a CPMI do MST e a prisão de dirigentes do MTL dão provas cabais.

O governo diz que a crise acabou e não passou de uma marolinha. Não é isso que nos diz Leda Paulani em entrevista exclusiva. A crise é estrutural e a saída escolhida foi pela mesma porta de entrada que a gerou. A professora alerta que o país, pelas características do sistema financeiro, não será protagonista de uma crise, mas poderá ser abalado por crises que vêm de fora.
O pré-sal e a retomada do papel do Estado é tema de Ildo Sauer, ex-diretor da Petrobrás. Ildo nos mostra como o governo tem agido de forma lesiva aos interesses nacionais e defende que o assunto é importante demais para ficar nas mãos dos deputados. Defende um plebiscito popular para decidir sobre o melhor modelo. Ele nos alerta que 70% dos países produtores de petróleo utilizam o modelo da exploração 100% estatal. O Brasil, no entanto, escolheu o caminho das concessões privadas, o que denota as opções desse governo.
Do meio sindical chegou uma boa notícia. Trata-se do calendário de unificação dos sindicatos combativos em um instrumento de luta que junte Intersindical e Conlutas e potencialize a ação dos trabalhadores numa entidade mais ampla. O CONCLAT (Congresso da Classe Trabalhadora) foi marcado para julho do ano quem vem. Trata-se de uma iniciativa importantíssima, na qual o PSOL esteve envolvido desde o começo e é peça fundamental da construção da unidade mais ampla da classe trabalhadora.
Apesar do discurso, o governo Lula é um desastre em termos ambientais. E na toada de atender aos interesses do agronegócio e dos setores anti-ambientais, continua na insistência de levar à frente o projeto de Belo Monte. Um desastre ambiental à vista denunciado pelo nosso senador José Nery. A Conferência do clima em Copenhague também é tema importante e é analisada no artigo de José Correa Leite.
A luta contra a corrupção continua um dos motes do PSOL. E nossa intervenção no Rio Grande do Sul para apurar as denúncias do governo Yeda quase levou ao impeachment da governadora. Infelizmente, outros setores não levaram essa perspectiva à frente, preferindo se concentrar numa oposição parlamentar e não nas ruas. Mas o PSOL continua na luta, mostrando os podres poderes que estão por trás da preservação de Yeda no poder.
Em Alagoas Heloísa Helena é perseguida pelas oligarquias do Estado. Depois de abrir mão de seus vencimentos e denunciar que vereadores da Câmara de Maceió recebiam R$ 27 mil na boca do caixa, Heloísa passou a ser perseguida, com o risco até mesmo de perda do mandato. Trata-se de uma tentativa que visa retirar a presidente do nosso partido da disputa eleitoral em benefício das oligarquias locais, braço de interesses nacionais. O PSOL não aceitará isso calado.
Por fim, publicamos de forma resumida a resolução de conjuntura aprovada na reunião da Executiva Nacional do PSOL no dia 12 de novembro, buscando contribuir para o aprofundamento do debate político entre todos os militantes do partido sobre os desafios do PSOL no momento atual.
Em relação ao debate sobre a tática eleitoral, o PSOL abre conversas com a pré-candidatura de Marina Silva, com o objetivo de identificar a existência de pontos programáticos comuns, ao mesmo tempo em que se discute candidatura própria do partido. Trata-se de um tema polêmico, que tem despertado um intenso debate na militância do PSOL e que culminará na realização da conferência eleitoral de março de 2010, momento em que chegaremos a uma posição conclusiva sobre a melhor forma de enfrentar a polarização entre a candidatura do governo e da oposição de direita.