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FORA YEDA: PSOL no olho do furacão PDF Imprimir E-mail
Página 50
Secretaria de Comunicação   
Seg, 04 de Janeiro de 2010 15:19

Por Luciana Genro, deputada federal PSOL/RS

O “Embaixador” do governo gaúcho em Brasília, Marcelo Cavalcanti, morto pouco antes do carnaval, havia sido demitido pela governadora Yeda Crusius meses antes, no bojo do escândalo que estourou com a operação Rodin da Polícia Federal, que descobriu uma fraude milionária no DETRAN gaúcho. A situação foi deflagrada pelas declarações de Lair Ferst - acusado de ser o mentor das fraudes -, segundo as quais ele havia enviado uma carta à Yeda contando todo o esquema (na verdade, queixando-se de ter sido excluído dele) através de Marcelo, que acabou demitido. Lair foi processado pelo Ministério Público.

Junto com Pedro Ruas e Roberto Robaina, tive acesso privilegiado ao depoimento e a provas que Lair havia entregado ao MP em troca da delação premiada. O PSOL já havia pedido o impeachment de Yeda muito antes. As evidências surgidas em uma CPI na Assembléia já eram bastante contundentes. Havia declarações do vice-governador Paulo Feijó, que denunciou a existência de caixa dois e o uso de recursos da campanha para a compra de uma mansão adquirida por Yeda após a campanha eleitoral.
Soubemos que Marcelo também estaria negociando uma delação premiada com a Justiça, através da qual revelaria a verdadeira participação de Yeda no esquema e a entrega da carta de Lair a ela. Seu depoimento, marcado para logo depois do carnaval, era fundamental para incriminar Yeda e seu marido. Aguardávamos o depoimento dele ao MP para revelar o que sabíamos sobre o depoimento de Lair.
Tratada como suicídio, a morte suspeita de Marcelo caiu como uma bomba. A situação levava à suspeita de que sua morte poderia ter sido uma queima de arquivo. Decidimos então revelar tudo o que sabíamos numa coletiva de imprensa, e afirmamos que o suposto suicídio de Marcelo precisava ser melhor investigado. Revelamos que Lair havia entregado ao MP áudios e vídeos altamente incriminadores de Yeda, seu marido, secretários de Estado e empresários. Fomos bombardeados e processados por fazer denúncias “sem provas”.
Mas não nos intimidamos e mantivemos as afirmações. Depois de vários meses e muitos embates, finalmente os procuradores vieram a público e confirmaram tudo o que havíamos dito, e passaram a ser acusados de irresponsáveis por pedir o indiciamento da governadora, do seu marido e de outras tantas ilustres figuras freqüentadoras do Palácio Piratini. Desde então, a história ficou muito parecida com tantas outras: cumplicidade da mídia com o governo, falta de agilidade da Justiça, advogados pagos a peso de outro para livrar corruptos.
O PSOL lançou a campanha “Fora Yeda”, o CPERS/Sindicato e o Fórum dos Servidores compraram a briga e somaram com mais um pedido de impeachment. Mais uma CPI foi aberta. Entretanto, são tantos os implicados, e de praticamente todos os partidos da base, que a base do governo voltou a se unificar para garantir o esvaziamento da CPI. O PT, maior partido de oposição a Yeda no Estado, não colaborou. Seus líderes não se pronunciaram pela saída da governadora e o partido não apostou na mobilização social. Limitou-se a uma oposição parlamentar. Claramente queriam o desgaste de Yeda, mas não a sua queda.
Esta luta contra a corrupção teve uma incidência direta na correlação de forças entre as classes no Estado, mais particularmente no embate de Yeda e seu projeto neoliberal com o CPERS/Sindicato, o mais mobilizado do Rio Grande do Sul. Antes da coletiva do PSOL, que reabriu com toda força a crise que havia sido fechada depois do encerramento da CPI do DETRAN, Yeda estava na ofensiva contra os trabalhadores em educação e prestes a enviar um projeto para acabar com o plano de carreira dos professores, sua maior conquista histórica. Com a crise reaberta, o governo foi obrigado a recuar e a Secretária de Educação caiu.
Agora, depois da votação que enterrou o impeachment, Yeda voltou à ofensiva. Isto demonstra  como a luta contra a corrupção é importante para as lutas da classe como um todo. Ela pode enfraquecer o inimigo e permitir que passemos à ofensiva. Esta história ainda não terminou, e novos desdobramentos podem acontecer a qualquer momento. Sabemos que os crimes cometidos por Yeda e sua gangue seguem acontecendo.
Mesmo que já não haja condições de derrubar a governadora, o PSOL vai seguir cumprindo o seu papel de denúncia. Mas também cumprirá seu papel de oferecer uma alternativa ao povo gaúcho. Nas eleições de 2010 apresentaremos a nossa proposta para governar o Rio Grande do Sul. Pedro Ruas, que ficou conhecido como “Dr. Impeachment” pela obstinação com que lutou e segue lutando contra a gangue do Piratini, será o nosso candidato.
Através dele vamos mostrar que é possível governar sem se vender, sem roubar e sem trair os compromissos assumidos. Vamos mostrar também que há recursos sim para melhorar a vida dos gaúchos. Esses recursos virão do combate à corrupção (só no escândalo do DETRAN foram R$ 40 milhões desviados, e há muito mais sendo investigado) e também através do fim da sangria da dívida pública, que consome mais de 20% da receita do Estado.
Ao contrário do PT, que tem que explicar o mensalão, o apoio a Renan Calheiros, Sarney, a amizade com Collor de Mello e a negativa de seu governo em aliviar as contas do Estado com a renegociação da dívida, o PSOL, com Pedro Ruas, terá toda a autoridade para mostrar que existe outro caminho. 

Última atualização em Ter, 05 de Janeiro de 2010 12:00