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A vereadora Heloísa Helena está na Comissão de Ética da Câmara Municipal de Maceió por ter feito referência à vereadora Tereza Nelma (PSB) como “porca trapaceira”, ao ser acusada, por ela, em plenário, de “plagiadora de projetos” e de “mentirosa”. É a primeira vez em Maceió que um vereador responde a um processo por quebra de decoro parlamentar, apesar de já ter havido sérios bate-bocas e denúncias de corrupção nas últimas legislaturas.
A motivação do processo contra Heloísa Helena tem caráter político. A preferência do eleitorado por sua candidatura ao Senado da República em 2010 é constatada nas pesquisas de opinião pública feitas em todo o Estado. Há fortes interesses para que Heloísa tenha o mandato cassado e os direitos políticos suspensos por oito anos, sob a justificativa de “quebrar o decoro” como vereadora. Em 2008, Heloísa candidatou-se a vereadora de Maceió pelo PSOL, sem nenhuma coligação partidária, e elegeu-se com 29.516 votos, ultrapassando o coeficiente eleitoral de quase 19 mil votos. Com ela, o partido conseguiu fazer mais outro vereador, Ricardo Barbosa. Heloísa fez uma campanha solitária e sem estrutura; esteve nos pontos de ônibus e sinais de trânsito fazendo panfletagem, conversando com as pessoas; visitou a pé grande parte da periferia da cidade e, sem tempo suficiente para debater no horário eleitoral, buscou o eleitor nas ruas e mostrou a importância de se levar para a Câmara de Vereadores “o debate do bem, da ética e do compromisso público”. Ao assumir o mandato, Heloísa Helena descobriu que a verba de gabinete para cada vereador estava sendo disponibilizada de forma ilegal. Os R$ 27 mil correspondentes ao limite de despesas para cada gabinete eram pagos em cheque nominal (ao vereador), na boca do caixa. A vereadora, que se negou a receber a verba, questionou o pagamento junto ao Ministério Público Estadual, que até hoje investiga o caso. Mas não há nenhum vereador na Comissão de Ética da Casa por receber na boca do caixa da agência do banco R$ 27 mil de recursos públicos. Em relação ao processo que está sofrendo, o relator do caso na Comissão de Ética, vereador Galba Novaes, já ouviu as duas vereadoras em sessões separadas, mas tem dito à imprensa que “quer ouvir outras pessoas”. Os vereadores negam que haja pressão pela cassação do mandato de Heloísa, mas há quem assegure que realmente está se tramando um golpe para tirá-la das próximas eleições em Alagoas, a partir da votação secreta do caso em plenário.
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