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Há quinze dias, o povo haitiano tem feito manifestações contra a fome e as medidas do atual governo que não só não tem resolvido a situação como tem agravado a miséria e a alta dos preços. A mais forte mobilização ocorreu na quarta-feira, 9 de abril, e cercou o Palácio Presidencial bloqueando todo o trânsito da capital, Porto Príncipe. Nós pudemos assistir pelas imagens da televisão o triste papel que as tropas de nosso país cumpriram, atirando contra os manifestantes. Segundo dados oficiais foram confirmadas cinco mortes e 200 feridos.
Os haitianos saem às ruas para repudiar o aumento no preço dos alimentos, que aumentou em 50% desde novembro de 2007. Esse é o resultado das políticas neoliberais aplicadas em um país que foi agredido e espoliado com direta participação dos Estados Unidos. Em fevereiro de 2004 foram as tropas norte-americanas que, diante de uma situação caótica, retiraram do poder o governo democraticamente eleito de Jean-Bertrand Aristide. A partir de junho daquele ano foram as tropas da ONU, através da chamada Missão das Nações Unidas pela Estabilização do Haiti (MINUSTAH), as responsáveis por garantir a continuidade da aplicação dos planos neoliberais naquele país. Agora, diante das inevitáveis conseqüências de deterioração das condições de vida e da revolta do povo contra a fome, a MINUSTAH intensifica a repressão aos haitianos. O governo Lula, sob o falso pretexto de fazer uma missão humanitária, tem sustentado a presença das tropas da ONU e, mais que isso, chefiado a missão, compondo o maior contingente militar no Haiti. Agora, diante da crise, o Ministro da Defesa Nelson Jobim, ao invés de sustentar uma solidariedade ao país, propôs o envio de mais militares caso as Nações Unidas solicitassem. O Haiti não precisa de mais presença militar, necessita sim de solidariedade internacional. Assim tem feito o governo cubano que há alguns anos envia uma ajuda humanitária de 400 médicos. Uma verdadeira solidariedade com o Haiti deve ser desenvolvida urgentemente pelos governos latino-americanos. O Haiti necessita ajuda alimentaria permanente e desenvolvimento econômico, não mais militares! A revolta do povo por comida evidencia de forma dramática o equívoco da política do governo brasileiro: não se resolvem os problemas sociais com repressão. Foi e é por essa razão que nosso partido e nossa bancada insistem na retirada das tropas do Haiti. O atual governo de René Preval apresentou medidas tímidas para a solução do problema, com a baixa de apenas 15% no preço do arroz e, diante da pressão das ruas, o senado haitiano destituiu o primeiro-ministro, Jacques Edouard Aléxis. O PSOL entende que o Haiti deve ter sua soberania respeitada e isso não será possível se forem as tropas da ONU a definirem quem deve governar. Por isso, defendemos a permissão do retorno de Aristide ao país, a convocação de novas eleições gerais livres e democráticas com a legalização para todos os partidos para que sejam os próprios haitianos os que discutam de forma democrática a saída a seus problemas. Também entendemos que a solução dos problemas no país caribenho está vinculada à luta por uma integração de o continente latino-americano, que libertem a todos os países do julgo do imperialismo e permita uma verdadeira e igualitaria solidariedade entre os povos. O PSOL reconhece e apóia as lutas de nosso país irmão. Acreditamos e lutamos juntos por uma sociedade mais igual e livre do imperialismo que só trouxe miséria e destruição às nossas terras.
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