Heloísa Helena é alternativa viável para Presidência PDF Imprimir E-mail
Escrito por Martiniano Cavalcante   
Seg, 10 de Dezembro de 2007 22:46

É o que diz a pesquisa Datafolha.

Pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República apresentada pelo Instituto Datafolha no domingo, dia 02 de dezembro, mostra a presidente do PSOL, Ex-Senadora Heloísa Helena, em terceiro lugar no cenário nacional, quando disputa a preferência do eleitor com José Serra do PSDB e Ciro Gomes do PSB. Heloísa obtém índices que variam de 13% a 15% contra 37% a 38% obtidos por Serra e 18% a 20% de Ciro Gomes.  Quando Marta Suplicy, a melhor colocada dentre os petistas com 4%, é substituída por Jaques Wagner, ou Dilma Rousef, estes não passam de 2 % de intenções de voto.

Noutro cenário, quando José Serra é substituído por Aécio Neves, Ciro Gomes assume a dianteira oscilando entre 27% e 30% de preferência e Heloísa Helena aparece em segundo lugar, obtendo de 18% a 20% das intenções de voto. Nesta simulação Aécio atinge no máximo 15% de preferência e Marta Suplicy chega a 9%.

Além do panorama nacional, merece destaque o desempenho de Heloísa Helena em alguns estados. No Rio de Janeiro, ela aparece em segundo lugar  com 21% e 23% , empatada tecnicamente com Serra, que obtém 23% e 25% . Quando Serra é substituído por Aécio, Heloísa Helena assume a dianteira no estado ao lado de Ciro Gomes. Mas na cidade do Rio de Janeiro, Heloísa lidera em todos os cenários com 24% e 26% contra Serra e Ciro que aparecem com 2 ou 4 pontos a menos que ela. Em Salvador, Serra tem 21%, Heloísa tem 18%, Ciro aparece com 12% e Marta 4%. Na capital do Rio Grande do Sul, Serra tem 36%, Heloísa tem 18%, Ciro tem 14% , Marta Suplicy  e o Gaúcho Nelson Jobim (PMDB), aparecem com 4%. Em Florianópolis, Serra tem 29% e Heloísa tem 20% contra 15% de Ciro e 5%  de Marta. Em Belo Horizonte, Serra têm 25% contra 15% de Ciro , 14% de Heloísa e 2% de Marta Suplicy.

Vale a pena observar os números em São Paulo. No estado, Serra dispara com 44% contra 13% de Ciro Gomes e 12% obtidos por Heloísa Helena e Marta Suplicy que aparecem empatadas. No cenário sem Marta Suplicy, Serra obtém 48%, Ciro 15% e Heloísa 14% da preferência dos eleitores.

O que dizem os números do Datafolha?

Os três anos que nos separam de 2010 recomendam a qualquer analista grande dose de prudência ao estabelecer prognósticos para as próximas eleições presidenciais.

Mas os números do Datafolha que, no geral, coincidem com os da pesquisa da Band e do IBPS (Instituto do RJ), são muito úteis para balizar os pontos conquistados, até aqui, no imaginário popular, pelos possíveis candidatos e seus projetos e podem reforçar algumas conclusões indicadas pelo cenário político nacional.

Em primeiro lugar, saltam aos olhos as dificuldades do Governo em transferir para um candidato petista os índices de aprovação de Lula que continuam altos. Também são visíveis os obstáculos, quase intransponíveis, para unificar a base governista em torno de uma candidatura única, fato agravado pelo bom desempenho de Ciro Gomes e a fraqueza demonstrada por Marta Suplicy, Dilma, Jaques Wagner, Patrus Ananias e Nelson Jobim.

Parece que o festival de escândalos ocorrido no Governo Lula queimou as figuras que o partido dispunha para 2010.

Que o digam Zé Dirceu, Palloci, Mercadante, Genuíno e Marta Suplicy que foi abatida pelo seu “Relaxa e Goza”, recomendado para a crise da aviação civil brasileira. Mas o PT com certeza, terá um candidato que poderá ser impulsionado pelas máquinas eleitorais do partido e do governo federal até a altura necessária para entrar na disputa.

O PSDB tem José Serra escondido atrás do Governo de São Paulo, na tocaia contra os chefes do partido que não o engolem, mas também disposto a abrir artilharia pesada para cooptar ou esmagar os concorrentes internos à cadeira presidencial. Esta dinâmica, permite antever um duro combate entre o governador paulista e o governador de Minas Gerais Aécio Neves. Ele não encontra na pesquisa Datafolha um caminho de rosas para suas pretensões, mas dela também não recebeu conselho de desistência, aparecendo com chances de disputar uma vaga no segundo turno das eleições presidenciais. Na pesquisa, ele aparece com 11% contra 15% de Heloísa, 19% de Ciro e 33% de Serra.

Aécio pode se acomodar na tepidez do ninho da burocracia tucana com uma vaga no Senado ou a vice de Serra. Mas ele pode, também, deixar o PSDB em busca de um partido pelo qual dispute as eleições presidenciais. Opções não lhe faltarão.

Segundo as indicações do cenário atual, as forças da oposição de esquerda ao governo Lula com Heloísa à frente travarão uma batalha particular com Ciro Gomes e o chamado bloquinho formado pelo PSB, PCdoB, e PDT. Segundo as recentes pesquisas, tanto Heloísa Helena quanto Ciro Gomes têm base de apoio homogênea e consolidada, em todas as faixas do eleitorado seja por idade, sexo, escolaridade, rendimento e região do país.

Ciro tentará representar o que chama de avanços do governo Lula contra a volta dos tucanos. Tem o apoio orgânico dos governos do Ceará, de Pernambuco e de setores da máquina do governo federal, além de razoável tempo de TV. Contra ele, assim como contra todos os possíveis candidatos da base governista, pesa a possibilidade de que a crise econômica que se anuncia nos Estados Unidos perturbe a idéia de estabilidade e de progresso que Lula vende caro à opinião pública.

Heloísa Helena, o PSOL e todas as forças populares e de esquerda que a eles se somem têm pela frente enormes desafios. Enraizar-se no Brasil profundamente, no coração e na organização dos trabalhadores, consolidar-se como força em franco crescimento nos grandes centros urbanos nas eleições municipais de 2008, conquistar as mínimas condições materiais para participar de uma disputa de verdade. Além de tudo isso, dois elementos decisivos deverão merecer atenção muito especial do PSOL: O primeiro deles é a necessária capacidade de encarnar um programa que seja ao mesmo tempo exeqüível e transformador, capaz de mobilizar multidões e alterar substancialmente a atual correlação de forças. Um programa que canalize a indignação nacional contra a corrupção para um projeto de profundas reformas democráticas nas instituições de poder.

Será preciso convencer o povo que é possível subordinar as instâncias de uma nova democracia representativa ao controle social e ao exercício da democracia direta. Este programa deverá reunir forças suficientes para quebrar a ditadura do capital financeiro, resgatar a soberania nacional, hoje, penhorada ao capital internacional, e assim, abrir as portas para a realização das necessidades e dos interesses da ampla maioria do povo brasileiro.

O segundo elemento, merece atenção redobrada, o reduzidíssimo tempo de TV destinado ao PSOL pela legislação vigente e a insignificante capacidade de comunicação, comparada aos candidatos da classe dominante. É preciso resolver estes problemas para pensar na candidatura de Heloísa Helena como protagonista de uma disputa séria contra os representantes do atual regime político e econômico. Heloísa Helena, o PSOL e seus aliados já demonstraram capacidade e determinação suficientes para superar obstáculos. Por isso é que poderão responder positivamente ao chamado que vem de 15% do povo brasileiro estruturando-se como força capaz de mudar profundamente os rumos de nossa história. 

Martiniano Cavalcante - Secretário de Comunicação do PSOL

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