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Manifesto de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros
Muito se tem falado sobre uma mudança no comportamento sexual nos últimos anos.
Parte da sociedade afirma que cada vez mais o preconceito diminui,
que outras formas de expressão da sexualidade e de amor são cada vez
mais aceitas pela população.
Vivemos em um mundo onde somos tratados pelo que temos e não pelo que somos.
A história nos mostra que o preconceito e a discriminação são mais
recentes do que imaginávamos, e que os povos de sociedades primitivas,
conviviam com a homossexualidade de forma tranqüila.
Em tribos indígenas, onde na sua grande maioria havia travestis como
seus “gurus” intelectuais, o respeito dava-se tal qual a qualquer outro
posto assumido, fosse esse “feiticeiro” ou “curandeiro” da tribo.
Este manifesto não vem para aprofundar o debate, pois temos a
certeza que isto deverá ser responsabilidade de um espaço orgânico do
partido que seja criado para a discussão de gênero, discussão da livre
expressão sexual.
A discriminação com mulheres e homossexuais, surge quando há mudança
de pensamento e com necessidade da busca de “oprimidos”, juntamente com
a mão de obra barata.
A Igreja católica deu os primeiros passos para a exclusão social,
ajudando a discriminar homossexuais. Será que não devemos parar para
pensar qual o significado do celibato? Já imaginou os padres, casando e
tendo filhos? Para onde iria o poderio financeiro da Igreja católica,
senão para os filhos e esposas de padres?
O capitalismo ajudou a reforçar esta diferenciação.
Fazia-se portanto, a necessidade da diferenciação da população, não
de uma forma saudável, mas de uma forma onde pudessem “existir” a
definição para “bons” e “maus”, ou entre “melhores” e “piores”, assim,
colocando a mulher em segundo plano, a impondo como “ajudante” do
homem, sujeitando a mulheres, homossexuais, índios, negros a condição
de explorados.
Explorados pela necessidade de uma mão de obra barata para grandes empresas, latifúndios e até mesmo para a Igreja católica.
Durante anos, muitas definições, para repudiar a homossexualidade,
foram criadas. Normas, leis e PECADOS criaram ideologias como a de
acreditar que a homossexualidade era “doença” ou um “desvio social”. A
sociedade burguesa precisou, com a ajuda da Igreja católica, impor um
padrão heterossexual, para poder garantir a hereditariedade da posse
privada em uma mesma família.
As manifestações no Dia do orgulho GLBT, 28 de junho, tem provado,
com o passar dos tempos, que existimos e que portanto devemos ser
respeitados.
Se por um lado, de uma forma diferenciada, demonstramos que
existimos, de outro lado a sociedade acaba absorvendo esta realidade,
mas algumas questões devem ser levantadas. Não estamos sendo aceitos
por que estão começando a avançar no pensamento de uma sociedade mais
igualitária, mas sim, porque hoje em dia um mercado avança junto a
comunidade. O chamado comércio “pink”, ou mercado cor de rosa, onde
grandes empresas começam a enxergar nos gays e lésbicas um grande
mercado consumidor.
Mas, até quando?
Devemos ter claro que isto é passageiro. A partir do momento no qual
não houver mais lucro para as empresas de turismo, de roupas e grifes e
o mercado deixar de existir tudo que imaginávamos mudar não passou de
um sonho, de um momento.
O preconceito não diminuiu, mas acaba aparecendo de forma menor,
tanto que, os assassinatos e crimes contra homossexuais continuam
acontecendo da mesma maneira e sem diminuição dos casos, portanto o
problema de fundo não vem sendo tratado, o qual é uma mudança de
pensamento da sociedade, para que saiba trabalhar com as diferenças,
pois,se não for feito, não teremos mudado o real problema . Através
desta reflexão quero discutir a conjuntura atual.
No Governo Fernando Henrique Cardoso, defensor das elites do país,
tivemos o presidente em foto com lideranças do movimento homossexual
segurando a bandeira do arco-íris, se dizendo defensor da livre
expressão sexual. Ora, sabemos qual o discurso da social democracia, o
discurso fácil e populista, mas que está a serviço das elites.
Hoje, temos um Governo, que tem como base, um Partido que desde a
sua fundação mantém um setorial GLBT, a qual discute os problemas da
comunidade GLBT. Mas que se aliou com setores da burguesia, os quais
sempre ajudaram a discriminar, que ajudaram a aprovar projetos visando
retirada dos direitos dos trabalhadores e governaram o Brasil sem
inovações.
Passamos por uma das maiores crises que nosso país já passou. Na
verdade, pela primeira vez, atos de corrupção que ocorreram pelos
governos que o antecederam, hoje atinge o Partido dos trabalhadores.
Mostrando a verdadeira face de um partido que discursa muito bem, mas
que tem uma prática que em nada diferencia dos demais.
O Governo Lula aprovou, e apenas isso, o Programa Brasil Sem
Homofobia, o qual, dentre tantas coisas importantes, defende o Projeto
de Parceria Civil, a implementação da discussão sobre a orientação
sexual nas escolas Públicas, dentre outros. O qual até este momento
não saiu do papel, pelo fato de não ser prioridade para o governo.
Pois não é sua intenção mudar a sociedade e servir de espaço para a
construção de uma outra sociedade, não é sua vontade mudar o sistema
aplicado, uma vez que já está mancomunado com setores como o FMI e o
Governo dos EUA, demonstrado pela sua 1ª viagem presidencial que teve
como destino os EUA para visitar Bush e na volta falar para a
população que George Bush Jr não era uma pessoa ruim como se imaginava,
o mesmo Bush que não quer o casamento de homossexuais, o mesmo das
guerras e da discriminação racial.
Outra posição que demonstra o lado optado por Lula e seus aliados é
a posição de retirar da ONU o pedido de inclusão da defesa a livre
orientação sexual junto a Organização. Na verdade, com esta atitude,
deixa de defender algo fundamental para o ser humano e se entrega para
contratos comerciais com países árabes, o mesmo aconteceu na reunião
com representantes de países do oriente médio.
Quando discutíamos a necessidade de participarmos de um partido,
sabíamos que somente um estado no qual respeite as diferenças, que faça
a Reforma Agrária, que coloque setores como comunicação, transporte,
educação, saúde nas mãos da população e que tenha a luta por melhores
condições de vida, com acesso a moradia para todos, é que pensamos, não
importando se o nome seja socialismo, comunismo ou outro, mas seja a
sociedade que queremos.
Precisamos de um partido que dentro de seu programa defenda todas
estas necessidades de forma tranqüila e democrática, dialogando com
todos os setores da sociedade e analisando a conjuntura de forma a
acompanhar as mudanças nacionais e internacionais. Entenda que estas
lutas são internacionais e que portanto é nossa a luta pela soberania
do povo Iraquiano, Venezuelano e de todos aqueles que sofrem com este
sistema capitalista e excludente.
Entenda que a luta pela Livre expressão sexual é parte de uma
transformação social, é parte como a luta das mulheres, dos negros, dos
índios, dos Sem terra, Sem teto e todos aquele que fazem uma micro
transformação, na perspectiva de uma macro transformação, a mudança de
sistema, a mudança de sociedade.
Neste sentido, nós militantes do movimento de Gays, Lésbicas,
Bissexuais e Transgêneros, temos a convicção que o P-SOL é o instrumento
ideal para esta luta.
Assinam este manifesto
Roberto Schneider Seitenfus (Conselho Municipal de Direitos Humanos de POA)
Cristiano Rodrigues Lima
Diego Soares
Fernanda Bignetti
Cristina Louro
Rodrigo Tirolla
Bruno César de Oliveira
Ricardo Caldeira
Tamara Cestari
Jonathan Nereu Lisboa Rojas
Vagner Rossoni
Rosângela Schneider Seitenfus
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