Não somos mercadoria, temos o desejo da liberdade PDF Imprimir E-mail
Escrito por Pré-Núcleo Diversidade Sexual do P-SOL/RJ   
Sáb, 25 de Junho de 2005 21:00

Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros (os LGBTs) correspondem a um dos setores mais discriminados e oprimidos da nossa sociedade. Diante disso devemos perguntar: o que se pode fazer para mudar esta situação? O que de fato está sendo feito?

Nos últimos tempos temos assistido a uma avalanche de reportagens que tentam nos convencer de que o preconceito acabou. A maioria delas associa este “avanço” ao “grande mercado” que gays e lésbicas representam; um mercado que estaria sendo “descoberto” e fazendo circular muito dinheiro. Trata-se de uma lógica perversa do seguinte tipo: “se eles consomem, não devem ser discriminados”. Mas, a realidade não é bem assim. Os LGBTs continuam a sofrer constrangimentos e discriminações nos locais de trabalho, nas escolas, nas redes públicas de saúde e de segurança. Muitos têm dificuldade em conseguir emprego, caso assumam sua orientação sexual, o que, no caso dos transgêneros, assume proporções gravíssimas. Lésbicas e gays são muitas vezes preteridos nas promoções e quase nunca ocupam cargos públicos importantes (quantos ministros, juizes ou deputados lgbts existem?). Os que passam pelo sistema prisional sofrem humilhações. Os que, ao contrário, sofrem de alguma forma de violência, têm ainda menos chances de ver seu agressor punido.

Por que há discriminação?

E por que tudo isso? A estrutura familiar tradicional patriarcal, conservadora, pode ser muito conveniente para o sistema. Ela garante a reprodução não apenas da mão-de-obra a ser explorada, mas também de um sistema de valores hierárquico. LGBTs são incômodos para quem tem interesse em manter a sociedade sob controle, a não ser na medida em que “consomem”. Mas a realidade da imensa maioria dos LGBTs está muito longe da mistificação feita por muitos programas de TV; está muito mais próxima das dificuldades de quem vive nas periferias e favelas. Quando a discriminação pela orientação sexual e a pobreza se juntam é que efeitos mais dramáticos aparecem. E não isso que a Globo retrata nas novelas.

Governo Lula só nos dá promessas, de concreto mesmo...

O PT sempre se disse ao lado das minorias e sempre se mostrou sensível às suas reivindicações. No entanto, o governo Lula moveu céus e terra (segundo acusações que aparecem agora até de maneira ilícita) para votar diversas “reformas” e não se mobilizou para aprovar projetos de interesse de LGBTs. O governo recuou da posição internacional progressista que o país vinha adotando (para não contrariar alguns países com os quais há relações comerciais) e aprovou um muito propagado plano chamado “Brasil sem Homofobia” que, além de propaganda, não saiu do papel. Por que o governo, que se vangloria tanto de ter maioria no Congresso, não fez aprovar uma legislação acabando com todas as formas de discriminação? Por que LGBTs continuam sem acesso a alguns direitos elementares?

Celebrar a vida, lutar por um mundo sem opressão

Precisamos celebrar o orgulho LGBT, com festa, com alegria, com a diversidade muito bem expressa pelas cores do arco-íris. Mas precisamos também nos mantermos atentos, organizados, lutando por um mundo em que todas as pessoas possam ser felizes, livres da exploração, livres para expressar e realizar seus desejos, livres de toda forma de opressão.

No lugar da esperança, o “mensalão”...

Os atuais escândalos de corrupção são um subproduto inevitável da opção política feita pela direção do PT e pela cúpula do governo federal. Ao aprofundar as políticas econômicas de seus antecessores, como o governo FHC, sacrificando ainda mais os trabalhadores para favorecer aos banqueiros, o governo Lula decidiu entrar em rota de colisão com sua base social e histórica, como os servidores públicos, a juventude, a população pobre do nosso país, sem-terra, sem-teto, trabalhadores e oprimidos. Para enfrentar a resistência da população contra seu governo antipopular, Lula e o PT transformaram em novos aliados partidos como PP, PL, PTB, PMDB, um grupo de conhecidos inimigos do povo. Com esses novos aliados, o governo do PT aprovou muitas medidas contra a maioria da população. A aliança com mercenários políticos só pôde acontecer sobre um sujo balcão de negócios, em que a apropriação indébita de recursos públicos é condição indispensável. Infelizmente, o PT acabou se comportando da mesma maneira que o PSDB no governo anterior.

A única forma de conseguir que a CPI tenha eficácia é a mobilização popular. O P-SOL, através do conjunto de sua militância, e de seus parlamentares, tem exigido que todas as denúncias sejam profundamente apuradas, com a punição dos comprovadamente envolvidos e o ressarcimento aos cofres públicos. Nossa postura, no entanto, diferencia-se daquela observada em partidos como o PSDB e o PFL, que não têm as mínimas condições morais e políticas de criticar a corrupção no atual governo; vide seus históricos de protagonistas em governos corruptos.

O P-SOL se soma à sociedade em sua indignação contra este estado de coisas. E não é só a corrupção aparentemente generalizada neste governo que nos causa indignação, mas a sua correspondente política econômica servil aos interesses do capital e sua disposição, cada dia maior, de atacar os direitos e conquistas da maioria da população.  

Pré-Núcleo Diversidade Sexual do P-SOL/RJ

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