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Resolução da Executiva Nacional do PSOL sobre conjuntura e tarefas.
Um panorama geral do
mundo
1) Em todo o mundo, a
face perversa da hegemonia do capital financeiro traz seu receituário de ajuste
estrutural, desregulação dos direitos sociais, desmanche dos serviços públicos
que passam a ser (des) regulados pela lógica mercantil. A palavra de ordem dos "donos do
mundo" é romper qualquer barreira para o capital circular, abolir as
fronteiras para a livre circulação das mercadorias, diminuir os "custos
humanos" da produção e confiscar qualquer direito ou controle que possa
fazer frente aos seus interesses imediatos. De outro lado, a crise financeira
que vivencia o império estadunidense o faz recorrer à rotina freqüente de
utilizar seu poderio militar para garantir fontes de energia no mundo e
financiar sua crise financeira através dos mecanismos de destruição. Assim, a
face do império para garantir sua dominação é ampliar a hegemonia do capital
financeiro ao mesmo tempo em que se utiliza do seu poderio militar para
financiar a crise.
2) A
crise agora se abate no centro do capitalismo. Diferente das demais crises
financeiras (México em 1995, Ásia em 1997, Rússia em 1998 e Argentina em 2001)
seu epicentro agora é o coração do sistema. As razões que a explicam são bem
conhecidas. O que não é conhecido é seu impacto de mais longo prazo, assim como
suas conseqüências nas demais economias. De qualquer modo, é quase certo que o
cenário anterior de excessiva liquidez financeira que tornou o crédito tão
barato nos EUA, a ponto de gerar uma enorme economia de créditos podres e
empréstimos baratos, não irá perdurar neste novo ciclo. Ou seja, o cenário
econômico internacional favorável com o qual o Brasil contou no primeiro
mandato de Lula, não persistirá nos próximos anos.
3) O fracasso da
intervenção estadunidense no Iraque é apenas a conseqüência mais imediata do
desastre político da doutrina Bush. Apesar de contar com a situação de
desequilíbrio de forças, o que torna os EUA a única superpotência em âmbito
mundial e reforça suas características mais intervencionistas, no plano
político o imperialismo vem colecionando insucessos que, se ainda não o colocam
em defensiva, já apresentam um cenário mais favorável às lutas dos povos e dos
trabalhadores. Evidentemente, na ausência de um projeto que seja apropriado
pelas maiorias em todo o mundo, que ofereça uma perspectiva totalizante e de
futuro nos embates que pipocam em vários cantos do planeta contra o
neoliberalismo, na perspectiva de ultrapassagem revolucionária do reino do
capital e construção do socialismo, dificultam a articulação dessas lutas numa
perspectiva de superação sistêmica e as colocam ainda num cenário de defensiva
dos de baixo.
4) É na América Latina
que o imperialismo colecionou suas maiores derrotas em âmbito mundial. Vinte
anos de implementação do projeto neoliberal e dos pressupostos emanados do
Consenso de Washington levaram à situação de aprofundamento da pobreza no
continente. O cansaço com um modelo que só aprofundou a situação de dependência
econômica, crise social e ausência de respostas aos graves problemas nacionais
levaram a onda de mudanças em praticamente todos os países do continente. Nesse
processo se destacaram, sobretudo, países como a Venezuela, Bolívia e Equador,
onde o curso da luta social e as medidas de governos progressistas têm levado
os povos desses países a importantes vitórias.
O Brasil e o momento político atual
5) Situação diferente
vive o Brasil. O signo da conjuntura atual é a continuidade de implementação do
projeto neoliberal, sob hegemonia do capital financeiro, que teve a partir de
Lula um reforço para sua estabilidade. A eleição de Lula e sua reeleição em
2006 causaram enorme confusão entre os lutadores sociais e setores de esquerda
no Brasil. Após um primeiro mandato, onde Lula e o PT romperam com o programa
que defenderam por décadas rasgando as bandeiras mais caras aos trabalhadores,
o início do segundo mandato aprofundou e consolidou o rumo já firmado no
primeiro: regressão dos direitos sociais, como na reforma da previdência,
continuidade da política econômica neoliberal, predomínio dos interesses do
capital financeiro, ampliação dos mecanismos de flexibilização à livre
circulação do capital (como na lei de falências), monocultura agrícola de
exportação que beneficia somente o agronegócio, assunção de uma poderosa
burocracia sindical em gestores do capital, etc.
6) Nesse segundo mandato,
o governo Lula reforçou a vinculação orgânica aos setores conservadores, tanto
no âmbito partidário, como programático. Do ponto de vista programático, o
governo Lula reforçou seus laços com o capital financeiro, o grande capital e o
agronegócio. A continuidade e aprofundamento da política econômica neoliberal,
a afirmação do etanol como produto-chave, ameaçando tornar o Brasil um “imenso canavial”,
são medidas que reforçam ainda mais o peso das classes dominantes nos destinos
do país. Além disso, Lula dá um agrado à burocracia sindical, através da lei
das Centrais Sindicais que confere maior peso às cúpulas e estimula uma corrida
pela divisão da classe trabalhadora, transformando sindicatos em meras agências
de corretagem da força de trabalho.
7) E o governo Lula
começou o segundo mandato mais à direita, na medida em que sua governabilidade
se baseia num leque de aliados em partidos fisiológicos e conservadores, com o
eixo da coalizão em torno da aliança com o PMDB e partidos como PP, PR e PTB.
Mesmo a oposição de direita (PSDB e DEM) não discorda no fundamental do projeto
governista, pela sua continuidade orgânica com o projeto de FHC, restringindo
suas ações apenas às questões de ordem ética, apesar de que neste terreno
tampouco são conseqüentes, já que eles mesmos estão envolvidos em inúmeros
escândalos.
A
garantia dessa governabilidade conservadora levou Lula a jogar as fichas na
operação de salvação do presidente do Senado, Renan Calheiros, absolvido no
plenário em sessão secreta, sob o beneplácito do PT e de parcela do PSDB e DEM
que desencadearam essa operação-salvação. Renan Calheiros só sobreviveu, a
despeito das graves denúncias que pesam sobre ele, porque é peça chave na
governabilidade lulista e pelo leque de relações que o associa à oposição de
direita. Não está tão longe na memória o festival inicial de "beija
mão" e apoio ao senador patrocinado por todos os partidos, à exceção do
PSOL. Vejamos mais de perto o balanço deste acontecimento, bem como o balanço
da política do P-sol, já que adotamos uma política reafirmada no Congresso do
partido que precisa ser avaliada.
Caso
Renan: P-SOL na linha de frente do combate contra o escândalo
8)
Todos acompanharam o escândalo Renan. A política adotada pelo P-SOL permitiu
que o partido aparecesse no centro da vida política nacional, ao
converter-se no pólo político-partidário fundamental na batalha contra a
corrupção concretizada na luta pela
cassação de Renan Calheiros.
Esta ação do P-Sol permitiu o reconhecimento de um
importante setor da população e consequentemente um salto no espaço político
conquistado. Se na campanha eleitoral esse espaço se condensava na figura de
Heloísa Helena, agora está associado ao P-Sol de Heloisa Helena. Vale citar os
15% que escolheram recentemente o nome da ex-senadora alagoana nas pesquisas de
intenção de voto para presidente da República. Neste mesmo marco se inscreve o
fortalecimento da simpatia do partido, de seus parlamentares e lideranças e
mesmo a viabilidade eleitoral alcançada por Luciana Genro, Chico Alencar,
Edmilson Rodrigues e outros nomes que disputarão as eleições para as
prefeituras do próximo ano.
Então, o
P-Sol se consolidou para amplos setores de massas – e assim ficará com a marca
no futuro – como quem lutou contra Renan. Embora os partidos como PSDB e
Dem(PFL), tenham aparecido defendendo a cassação, é indiscutível que quem mais
capitaliza é o P-Sol. PSDB e Dem são parte do velho, e quem fez a representação
contra Renan no Senado – sendo o único partido que apareceu conseqüentemente
tentando mobilizar, foi o P-Sol. Para nosso partido significou um
salto de qualidade em sua construção, em sua presença nas massas e na vida
política nacional. A ação de nossos parlamentares foi decisiva,
bem como os vários atos nos estados e a ação agitativa que fez nossa regional
em Brasilia na véspera e no dia da sessão secreta.
9) Não
se tratou de um problema menor. A luta pelo Fora Renan é um dos grandes fatos políticos ocorrido
no país, acompanhado por amplíssimos setores do povo. Tratou-se portanto de
um desses fatos políticos que ficam na memória das massas, já que o tema do
presidente do Senado esteve presente durante três meses seguidos na mídia, sendo
o P-Sol presença constante. O caso Renan permitiu uma maior politização do povo que seguiu a
sessão decisiva do Senado como se fosse um final de campeonato.
10)
Para que Renan não fosse cassado foi fundamental a política da bancada do PT e
do governo. Ao sustentar Renan,
Lula mostrou estar aliado de um réu confesso, aceitando dar prova de autoridade
para manter a aliança do PT e do PMDB, que é o que permite ter sua
“governabilidade” afim de continuar com sua política social liberal. Se por um lado, taticamente,
conseguiu a absolvição, tal decisão teve um
alto custo, e não permitiu que o processo de crise tenha se fechado totalmente.
O PT agora quer a licença de Renan para votar o CPMF, e tem essa grande
pedra no sapato.
Não por casualidade setores burgueses dominantes,
com a Rede Globo em primeira linha, alertaram sobre a importância de cassar
Renan. Atuaram para limpar cara de suas instituições. Afinal, uma de suas
instituições importantes, o Senado, foi posta a nu diante do povo como uma
confraria de corruptos escondidos atrás do voto secreto para salvar seu
presidente. Pela
primera vez se pode falar diretamente ao povo, com audiência, sobre a
dissolução de uma das instituições mais
reacionárias que é Senado. Em segundo lugar,
porque se mostrou novamente que a prática política do governo Lula e do PT,
defenfendo a Renan, não foi um fato isolado, já que acontece depois do mensalão
e de outros escândalos de corrupção. O
governo assim ganhou uma partida mas perdeu credibilidade diante do povo.
11) O
balanço de um fato desta envergadura é fundamental. O P-Sol não pôde transformar sua
campanha em uma luta de milhares nas ruas. Várias razões o explicam.
a) Por um lado o partido não tem ainda um peso
social, uma inserção social que corresponda ao espaço ganho na opinião pública
e na simpatia das pessoas.
b) Há uma razão importantíssima que devemos cobrar,
na hora do balanço, que explica que não tenha ocorrido mobilizações maiores: a
superestrutura do movimento de massas segue majoritariamente dominada pelo PT
ou pelo PC do B, que defendem Renan. Infelizmente também as correntes sindicais
de oposição como Conlutas e Intersindical não
colocaram o tema do Fora Renan na ordem do dia, não aproveitando este fato
enorme para desgastar o governo e o regime e para mobilizar bases sociais,
deixando assim de
realizar a mais simples comparação que
fazem os trabajadores entre seus baixos salários e suas reivindicações e os
privilégios dessa casa dominada por corruptos que é o Senado.
12)
Mas o ponto fundamental que explica que não tenha mobilização popular é o
contexto da luta de classes. A
situação objetiva, ou seja, a correlação de forças entre as classes. Há uma
situação defensiva dos trabalhadores e do povo; há uma estabilidade do regime
apoiada especialmente na situação econômica relativamente favorável para a
burguesia que permite às classes dominantes e ao governo manter essa ofensiva e
a situação de “status quo” ou estabilidade. Ofensiva que no terreno material se
concretiza no desemprego, no arrocho aos aposentados, e no próximo período está
marcada pelas novas leis de reforma da previdência, do ataque ao direito de
greve dos trabalhadores públicos, reforma da CLT e da saúde – projeto das
Fundações -e outros ataques.
Essa margem de manobra pela situação econômica
–apoiada na conjuntura internacional- é o que permite fazer uma política para
os grandes capitalistas, por um lado, e uma política limitada, por outro lado,
de assistência social com a bolsa família para o povo mais pobre. Resta saber
até onde dominará na consciência das massas o problema de desmoralização e
impotência devido a decisão pela absolvição de Renan ou a indignação para
impulsionar lutas contra o governo.
13)
Essa situação se alteraria ou por uma mudança na atitude das massas ou
por algum processo que provoque uma desestabilização maior. (A crise
econômica mundial que vai incidir com mais força no Brasil pode ser uma delas).
Mas ainda não ocorreu e não sabemos a envergadura que terá.
Enquanto isso o governo
goza dessa margem graças a estabilidade e a situação econômica, embora estejam
se acumulando problemas e contradições
nas quais a corrupção, que atinge todo o regime, é a mais importante
atualmente. Então, há tendências na conjuntura que demonstram que o céu
para o governo não é de "brigadeiro". Retomemos: em primeiro lugar, o
cenário econômico internacional não é favorável. O governo Lula ao manter
intocado os pressupostos da ordem neoliberal num cenário internacional mais
favorável, somente aprofundou a crise. A aparente estabilidade, em verdade,
sempre foi falsa no neoliberalismo, o que torna o cenário econômico um fator de instabilidade política. Em
segundo lugar, abriu-se na situação e na oposição conservadora a corrida
sucessória que repercutirá nas próximas eleições. O chamado Bloco de esquerda
(PSB, PC do B, PDT), que representa setores do governismo não apresenta
diferenças de fundo e participa da coalizão PT/PMDB, mas procurará ocupar um
espaço alternativo ao PT, buscando atrair para o si o capital político de Lula.
Em terceiro lugar, a questão ética e o caso Renan Calheiros se tornaram o
“calcanhar de aquiles” do governo, com o problema mais grave que afeta sua
governabilidade e também com o desgaste mais prolongado dos mensaleiros que
retornam à cena pública pelo julgamento do STF. É preciso destacar que
ressurgem as ligações da origem do Valerioduto com os tucanos de Minas e que
envolvem também um ministro de Lula.
14)
Foi um grande acerto adotar o tema da corrupção como um dos eixos concretos da
atividade do partido. A corrupção é uma
característica intrínseca do capitalismo,
ainda mais nesta fase neoliberal, já que o estado burguês está sendo usado de
forma muito mais direta como um instrumento a serviço dos grandes capitalistas.
Isto faz com que os partidos respondam diretamente a estes grandes interesses e
se convertam em mercadoria eleitoral que governam para estes grandes
interesses. O mensalão não foi um acidente na gestão governamental do PT. É a
prova conclusiva de que o PT foi cooptado, degenerou e se converteu no agente
“social liberal” desses grandes capitalistas. A condenação do José Dirceu, que
além de ter sido deputado e ex-ministro de Lula, é assessor de grandes
capitalistas e de investimentos estrangeiros no país, é o símbolo dessa
mudança. O apoio a Renan mostra em forma muito mais direta ainda esta situação
que atinge praticamente a todos os velhos partidos que fazem parte do regime.
Esta
corrupção se associa para o povo de forma direta com os privilégios de
parlamentares do governo e das instituições do regime, mas terminará também
cada vez mais se associando com a política social liberal do governo que se apóia nos grandes empresas e bancos de um lado e de outro nas
quantias da bolsa família. Daí se deduz a importância também da luta contra a corrupção que faz parte
fundamental das reivindicações democráticas do povo que vê a “seus
representantes” traindo seus mandatos e um regime corrupto.
Por outro lado, nesta
conjuntura concreta que vive o país, ficou demonstrado que a corrupção é o
ponto mais fraco do governo, seu
calcanhar de Aquiles, no qual é preciso golpear para também debilitar toda sua
política de ofensiva contra os trabalhadores. A
luta contra a corrupção de um ponto de vista de classe está unida à luta pelas
reivindicações dos trabalhadores e o povo, que é o que nos permite apresentar ao PSol como o novo partido contra a velha política. Como muito corretamente
Heloísa Helena faz ao afirmar que seguirá ensinando aos seus filhos de que não
se pode roubar, nós apresentamos esta corrupção como a corrupção da clase
dominante, de uma moral burguesa em decadência e lumpenizada, e a contrapomos à
moral de nossa classe e do povo, que não
rouba e sim que é roubado. Isso é o que tem dito nossa principal porta voz, a
companheira Heloísa Helena.
15) O caso de Renan mostrou
certas contradições nas classes dominantes. Setores da burguesia viram a necessidade de fazer
uma certa limpeza do regime (Rede Globo e o STF) A resolução do STF de abrir o
processo do mensalão indicou que um setor da burguesia quer fazê-la (Medida
aproveitada também para golpear o PT para as próximas eleições presidenciais).
A oposição de direita depois de fazer a fila para parabenizar a Renan (PSDB e
DEM) terminou fazendo oposição parlamentar. Há companheiros que pensam que por
isso teríamos que limitar nossa ação contra Renan. Seria um erro. No há política de massas sem aproveitar as contradições e
interburguesas pelas quais se possa colar a política de classe e a mobilização
dos trabalhadores. O erro é entregar essa bandeira para a oposição de
direita. Nos diferenciamos deles por
sermos os únicos conseqüentes nessa luta e porque a unimos às lutas dos
trabalhadores. Então, devemos manter
a nossa pressão institucional e de massas para a punição exemplar dos corruptos
em nosso país. Isso significa continuar a batalha pela cassação de Renan
Calheiros e Gim Argello e ampliar nossa ação para obrigar a investigação em
relação ao mensalão tucano que envolve o ministro Mares Guia e o senador
Eduardo Azeredo.
16)
Nossa campanha contra a corrupção pelo fora Renan e agora pelo Fora todos os
corruptos tem que continuar. Agora esta colocada para nossa bancada e em nossa
política pelo fim do voto secreto.
A
marcha a Brasília do 24 de Outubro será
uma expressão de vanguarda que nós temos que transformar também em uma ação
popular, com a palavra de ordem “Fora todos os corruptos” em “defesa dos
direitos dos trabalhadores”. O
P-Sol tem como tarefa nacional preparar essa marcha e participar com tudo na
mesma. È nosso eixo político nacional e
a via pela qual também continua nossa luta contra a corrupção, combinada com a
luta pelas demandas econômicas e sociais. Na ação parlamentar temos que
continuar contra Renan não votando CPMF e na defesa do fim do voto secreto. Mas
também insistiremos numa agitação propagandista sobre o significado da
corrupção, mostrando o vínculo dos partidos do regime com a mesma e denunciando
diretamente o presidente Lula, responsável pela sustentação de Renan, unindo o
mensalão e contra os 40 denunciados, que é uma demonstração da corrupção do
próprio governo federal. Temos a
possibilidade, por exemplo, de mostrar que todas as leis adotadas sob o
mensalão são ilegais e têm que ser revogadas. Em outra oportunidade já havíamos
defendido esta bandeira e com o julgamento do STF ela se atualiza para uma
propaganda vigorosa de nossa parte e um chamado aos sindicatos –sobretudo dos
servidores –para assumi-la.
17) O P-Sol esta em um
período enorme de acumulação de forças, que é parte de um processo mas geral de
todo o movimento de massas depois da decepção e do ceticismo que provocou a
traição do PT e da CUT. No terreno das
organizações de massas é um processo menos dinâmico, com mais contradições. Se
expressa no fortalecimento do ComLutas e da Intersindical. É preciso levar em
conta também que o governo ampliou em demasia seu leque de aliados
conservadores, o que só foi possível na exata redução de qualquer veleidade de
mudanças à esquerda, mesmo que cosméticas. Isso fez com que o argumento
utilizado de "disputas no seu interior", por uma parte dos movimentos
sociais e setores do petismo, ficasse insustentável. A ida do lulismo mais à
direita ampliou o descontentamento de parcela dos movimentos sociais, A eleição
presidencial já havia provocado parte desse deslocamento, a partir da apresentação
da candidatura de Heloísa Helena. Contudo, o lulo-petismo precisou apresentar
um discurso mais à esquerda, fundado nas privatizações, para derrotar Alckmin e
a coalizão conservadora. Esse discurso, já nos primeiros dias do segundo
governo, mostrou seu engodo. Já começa a ganhar volume um descontentamento pela
esquerda de setores dos movimentos sociais menos atrelados ao governismo, como
o MST, que, mesmo sem romper com o lulismo, tem promovido ações de maior
confronto político e programático, ainda que parcial e defensivo, assim como
setores da Igreja Católica. Também o PSOL começa a ser visto por amplos setores
nos movimentos sociais como um parceiro na ação concreta diante do sumiço do PT
e da CUT em ações que contestem minimamente a agenda conservadora do governo.
18) Ademais, a esquerda e
os movimentos sociais também começaram a sair do "córner", embora
estejamos apenas no início deste processo e sem consolidá-lo. A jornada de
lutas no dia 23 de maio, a seqüência de greves, como a dos correios, mobilizações
e ocupações em categorias diversas e setores sociais, o Congresso do MST e o
recente plebiscito da Vale são demonstrações de uma reanimação nos movimentos
sociais e maior disposição de desencadear lutas, mesmo que seus sentidos, em
função da presença do governismo nos movimentos sociais, esteja sempre em
constante disputa. Há maior disposição de luta em parcela dos movimentos
sociais que vem ganhando espaço. As lutas dos funcionários públicos contra as
novas reformas do governo são parte da resistência contra essa ofensiva contra
os trabalhadores.
19) As
eleições do próximo ano já entraram na pauta política e tendem a se converter
no centro da disputa política. Não há
nenhuma ação de massas que possa ordenar a luta contra o governo no próximo período.
É onde nosso partido tem mais condições
de acumular. O P-Sol pode afirmar-se
em seu processo de acumulação e dar
inclusive saltos em alguns lugares que tenham repercussão nacional. Somos
a única força política que pode se apresentar nesta disputa com uma política
nacional como um novo partido contra a velha política, de oposição de
esquerda ao governo e a todos os partidos do regime.
Temos uma ótima localização para disputar
prefeituras como a de Belém, Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo e outras
cidades. Temos que nos apresentar também como um partido capaz de ter uma
política concreta para resolver problemas do povo, mas também buscar nacionalizar a disputa, transformando as eleições numa
luta contra o governo federal e contra o PSDB e DEM. Neste sentido temos
que desde já avançar na elaboração programática, e começar a preparar as listas
de candidatos nas principais cidades dos estados.
Sintetizando, as tarefas do partido nos dois
próximos meses
20) O momento político do país está a clamar uma
responsabilidade ímpar do PSOL. O PSOL é o pólo mais dinâmico e avançado que
permite aglutinar a esquerda socialista, democrática e combativa. O PSOL
oferece uma alternativa que os demais não podem oferecer: um pólo de
contestação política anti-sistêmica que permite dar vazão ao pólo de
descontentamento social. A ação do partido e de sua bancada no Congresso é
exemplar das possibilidades desse espaço político. Mesmo com pequena
representação parlamentar, o espaço ocupado pelo PSOL na conjuntura é significativo,
como demonstrou o Fora Renan, a crise aérea e o plebiscito da Vale. À medida
que todos os partidos estão comprometidos com o mesmo programa, nossa margem da
ação se amplia e precisa ganhar capilaridade social, organização, dinamismo e
influência de massas. O partido conseguiu alcançar uma importante vitória nas
definições do seu I Congresso, ultrapassando mais uma fase de sua construção.
A visibilidade política alcançada pelo PSOL no
primeiro semestre comprova haver um importante vazio à esquerda a ser ocupado.
Para isso, contudo, é necessário ter uma precisão no diagnóstico e na tática
política a ser adotada. Esse espaço só poderá ser ocupado por uma alternativa
que se pretenda de massas, democrática e socialista. Do sucesso dessa ação
partidária dependerá, e muito, o futuro da esquerda brasileira diante do ciclo
pós-PT. Precisamos converter em força militante a grande simpatia que o partido
vem ganhando no seio do movimento social. Por isso, é fundamental que o PSOL
esteja presente nas mobilizações marcadas para o segundo semestre de 2007,
apoiando-as e ajudando a construir ações de massa em todo o país. É necessário
que nessas mobilizações o partido se apresente de forma organizada e
articulada.
Dito isso, queremos sublinhar as tarefas do partido
nos próximos meses:
a) Marcha à Brasilia de 24 de outubro é nosso eixo
político nacional de mobilização com a consigna de fora todos os corruptos e em
defesa dos direitos dos trabalhadores.
b) Outra atividade nacional do partido tem que ser o
20 de novembro dia da consciência e da luta negra, quando temos condições de
realizar uma luta nacional com um ato nacional com representantes na Serra da
Barriga, em homenagem a Zumbi dos Palmares.
c) A campanha de
filiação e a preparação de nossos candidatos é também fundamental. A agenda de
Heloísa Helena em vários estados tem sido peça chave para consolidarmos o
partido e estará também a serviço da construção da marcha do dia 24 de outubro,
do ato do dia 20, da preparação dos candidatos e da campanha de filiação.
d) Finalmente, temos o
desafio de consolidar o jornal nacional do partido e avançar na construção de
instrumentos capazes de potencializar a intervenção e a organização do P-sol.
21) É necessário atrair
todos os setores descontentes com a política de governo para a realização de
ações unitárias que questionem o programa neoliberal em execução e que defenda
os direitos dos trabalhadores da cidade e do campo. Nossos eixos nestas ações
serão“ Fora todos os corruptos” e “ Defesa dos direitos dos trabalhadores”. Mas
além destas bandeiras de luta devemos sustentar especialmente:
* Combate a precarização dos direitos dos trabalhadores;
* Combate a privatização dos serviços públicos;
* Pela mudança da política econômica de ajuste fiscal via
DRU, CPMF e superávit primário;
* Combate a primazia dada ao agronegócio e a transformação
do Brasil num enorme canavial para produção de biodiesel, reafirmando a reforma
agrária;
* Defesa da reestatização da Vale do Rio Doce.
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