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Queremos agradecer aos eleitores de nossa candidatura presidencial, Heloísa Helena. Os nossos 6.575.393 votos vieram de pessoas que não foram atrás da falsa polarização plantada nos meios de comunicação e que não foram atrás do pretenso voto útil das pesquisas eleitorais. Foram votos de negação dos partidos que defendem o modelo neoliberal com sua corrupção generalizada e que marcaram a possibilidade de construção de uma alternativa de esquerda e coerente para o Brasil.
Agradecemos a todos que votaram em nossos candidatos a
governadores, senadores, deputados federais e estaduais. Aos votos que
permitiram a reeleição de Luciana Genro, Chico Alencar e Ivan Valente.
Aos nossos dois deputados estaduais novos de SP e um deputado estadual
no Rio de Janeiro. Sentimos a não reeleição do João Alfredo, da
Maninha, do Fantazzini e do Babá, quatro guerreiros socialistas que
muito honraram nosso partido e seguem honrando. Alguns dos nossos
deputados estaduais não foram reeleitos, mas também seguem firmes na
luta pela construção de uma alternativa socialista e democrática. Ao
fazermos o agradecimento muito especial aos eleitores de todos os
candidatos do P-SOL, do PSTU, do PCB, da nossa frente de esquerda em
todo o Brasil, queremos também homenagear nossa candidata presidencial,
cujo esforço e abnegação na campanha eleitoral foi um exemplo militante
para todo nosso partido. As flores, as orações, o carinho, os beijos e
os abraços recebidos por onde passou demonstra uma imensa identidade de
uma parcela importante de nosso povo com nossa principal expressão
pública. Tinha muita gente que dizia: “Heloísa, você é nossa última
esperança”, ou ainda em maior número: “Não desista. Tenha saúde. Tenha
força. Se não der nesta, dará na próxima.” Assim, é
evidente que os 6.575.393 votos representaram um triunfo político
importante. Este triunfo fica mais claro quando sabemos que nossos
eleitores remaram contra a correnteza, nadaram contra a maré do voto
útil, da falsa polarização PT e PSDB e votaram na nossa candidatura. No segundo turno, a Executiva Nacional do P-Sol deliberou por não indicar o voto nem em Lula e nem em Alckmin. A
responsabilidade do voto é enorme. No entanto, o P-SOL entende que as
candidaturas que disputam o segundo turno defendem políticas econômicas
neoliberais e reformas que continuarão a retirar direitos dos
trabalhadores, de servidores públicos e de aposentados brasileiros, e
que no campo da ética, ambos os partidos e coligações representados por
Lula e Alckmin, tem dirigentes e parlamentares envolvidos com práticas
de corrupção, roubo, tráfico de influência em governos, fraudes em
licitações e outros delitos contra o patrimônio e a administração
pública. O P-SOL fez uma campanha com Heloisa Helena
defendendo os interesses do povo brasileiro por um governo honesto e
ético, e por um programa de profundas mudanças no modelo econômico,
político e social do País. Obtivemos mais de 6 milhões de votos de
brasileiros que acreditaram em nossas propostas e programa de governo
para atender às reivindicações da classe trabalhadora e do povo pobre. Em
nome desta parcela de eleitores é que não podemos ter outro
posicionamento senão o de denunciar as candidaturas de Alckmin e de
Lula como sustentáculos de um modelo político, econômico e social
injusto, cujo desdobramento é também a corrupção generalizada, modelo
este que manterá milhões de brasileiros na miséria e na dependência de
esmolas governamentais, sem dignidade e sem perspectivas de emprego e
de salários melhores. Além disso, qualquer que seja o eleito, o quadro
político nacional já está definido em favor de uma aliança conservadora
de centro direita, com o PT ou com o PSDB, sem mudanças na economia e
no mundo do trabalho, isto é, com a continuidade da submissão ao
capital financeiro, superávit primário, juros elevados, arrocho dos
salários e desmonte dos serviços públicos. Não haverá reforma agrária e
nem uma política de recuperação do emprego e da renda dos trabalhadores
e da classe média. Passamos oito anos contra o Governo FHC
e suas políticas. E mais quatro anos denunciando e combatendo o Governo
Lula com suas propostas de continuidade do neoliberalismo. Agora, em
dois dias, não negaremos o que fizemos nestes doze anos. A posição do
P-SOL é para os filiados do P-SOL. Nossos filiados, na urna, têm o
direito de fazer o que quiserem. Publicamente não podem. Não pode o
deputado, a senadora, nem o vereador nem o dirigente sindical. Para
estas figuras públicas esta regra é ainda mais importante, porque
declarações na imprensa por um lado ou outro serão caracterizadas como
campanha, e isso nossa resolução tem caráter proibitivo. Há pessoas de
bem e de paz, homens e mulheres de luta em todos os lugares, e votando
em todos os outros candidatos. Nossas eleitoras e nossos eleitores são
mulheres e homens livres, e têm o direito de escolher como votar. Mas o
P-SOL tem definição: não indicar o voto em nenhum dos dois candidatos.
Portanto nem PT nem PSDB precisam nos procurar porque já temos uma
posição política. Chamamos o povo brasileiro a não confiar
em nenhum deles e a se preparar para resistir e combater às políticas
que qualquer um deles irá tentar implementar ganhando as eleições. Não
vamos rasgar 12 anos de militância política em dois dias. O P-SOL não
fica em cima do muro.Estamos no chão, ao lado dos trabalhadores e do
povo, no combate em defesa dos direitos dos trabalhadores, no campo de
batalha, fazendo o que temos a obrigação de fazer, ou seja, dizendo que
as duas candidaturas representam o mesmo projeto neoliberal.
Brasília, 3 de outubro de 2006 Executiva Nacional do Partido Socialismo e Liberdade
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