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Lula recebe Bush no Brasil anunciando com brindes e sorrisos a colaboração entre os dois governos. O que há anos atrás provocaria indignação dos amigos e militantes do PT agora é dito como normal pelo goverrno petista, em coalizão de vários partidos, entre os quais está o PMDB de Sarney, Quércia, Calheiros e Dellfim, o PTB de Roberto Jefferson e de Collor, o PL e o PP de Maluf, ambos com outros nomes de disfarce. Com tal coalizão e depois de quatro anos de um primeiro mandato a serviço dos banqueiros e dos grandes capitalistas, não é mais surpresa que Lula se declare amigo do Presidente dos EUA George Bush, chefe público maior de um sistema de exploração e massacre contra os trabalhadores e povos de todo mundo.
Quem dá as cartas nesta visita é o governo norteamericano. A passagem
de Bush pela América Latina inclui além do Brasil, o Uruguai, a
Colômbia, a Guatemala e o México. São todos governos considerados
parceiros da Casa Branca. Não visita a Bolívia, nem o Equador nem muito
menos a Venezuela. É que um dos objetivos centrais da visita de Bush é
de fortalecer suas relações com Lula para que o governo brasileiro
sirva de contenção de toda e qualquer proposta latino americana que
rume na direção da independência do continente, medidas como a
auditoria da dívida externa, definida por Rafael Coreia do Equador, ou
a implementação pelos governos de Evo Morales da Bolívia e de Hugo
Chavéz da Venezuela, da nacionalização dos recursos naturais,
atualmente dominados por empresas imperialistas, como é o caso da
telefônica da Venezuela, de capital norteamericano. O Governo Bush tem
suas tropas atoladas no Iraque para que possa usar, hoje, a força bruta
contra nossos vizinhos. Ao mesmo tempo, diante do seu desprestígio cada
vez maior nos próprios EUA - com o povo norteamericano percebendo que
tem sido enganado - necessita de um ombro amigo e de uma parceria para
defender seus interesses questionados na América Latina ainda com suas
veias abertas. A utilização das tropas brasileiras no Haiti prova de
que até militarmente o governo brasileiro tem se colocado à disposição
dos interesses imperialistas.
O P-SOL sustenta que a política de colaboração entre Bush e Lula é um
desastre para o Brasil. Infelizmente é uma colaboração que não vem de
agora. Quando a Argentina declarou a moratória de sua dívida externa,
em 2002, não encontrou no ano seguinte nenhum apoio do goverro
brasileiro. Naquele momento Lula começava seu primeiro mandato e já
aceitava ser sócio menor dos interesses dos EUA, que viam na moratória
argentina uma ameaça ao sistema financeiro por eles dominado. O governo
brasileiro e norteamericano com o apoio da grande mídia anunciava que a
Argentina caminhava para a catástrofe. Não foi o que aconteceu. Até
mesmo do ponto de vista capitalista, a Argentina cresceu e o Brasil
ficou estagnado. Os conselhos de Washigton apenas provocaram sofrimento
e miséria para nossos povos. Esta parceria não vale a pena. As relações
econômicas entre os dois países deixam isso totalmente claro
A atual política econômica no Brasil é orientada pelos ditames do Fundo
Monetário Internacional - não por acaso localizado ao lado da Casa
Branca - e privilegia o pagamento dos credores financeiros, em
detrimento do investimento nas áreas sociais. Ano passado, nada menos
que 37% do Orçamento Geral da União1 foram destinados ao pagamento de
juros e amortizações das dívidas externa e interna, enquanto a saúde
recebeu apenas 5%, a educação 2%, e a Reforma Agrária2 0,39%. Na
realidade, o FMI é o órgão que defende o interesse do sistema
financeiro internacional, ao qual servem os governos norteamericano e
brasileiro.
O governo norteamericano, através do Fundo e de outras "Instituições
Financeiras Multilaterais" como o Banco Mundial impõem pesadas reformas
neoliberais, como a da Previdência, que Lula deseja implementar através
do "Fórum Nacional da Previdência Social", já em funcionamento. A
Reforma da Previdência atende principalmente o setor financeiro
nacional e estrangeiro, beneficiário dos juros da dívida pública e que
está de olho na exploração da Previdência Privada.
Impondo a política de ajuste fiscal, essas Instituições, comandadas
pelo governo americano, provocam no Brasil um genocídio que apenas se
compara com as tragédias como os que ocorrem na Guerra no Iraque.
Enquanto essa matou 34 mil civis em 2006, mais de 55 mil pessoas são
assassinadas no Brasil a cada ano, como resultado da ausência do Estado
em áreas sociais básicas, como a educação, saúde e trabalho, em meio a
uma política econômica que condena as pessoas ao desemprego e à
desesperança.
Se no passado nossas reservas de ouro eram saqueadas pelos
colonizadores europeus, atualmente vivemos um saque muito maior,
materializado nas remessas de lucros e juros aos países ricos. Durante
o governo Lula, as empresas multinacionais aqui instaladas triplicaram
suas remessas de lucro para suas matrizes no exterior, que em 2006
atingiram US$ 16 bilhões, sendo que os EUA são o principal destino
deste dinheiro. Dentre estas multinacionais também se incluem bancos
estrangeiros que ganham os maiores juros do mundo aplicando em títulos
da dívida "interna", que apesar do nome, beneficia o setor financeiro
internacional. Ou seja: o pagamento antecipado ao FMI, longe de
significar a independência do país, significou uma troca de dívida
externa por interna, com juros maiores e prazos mais curtos, cujos
beneficiários estrangeiros agora contam com mais um presente de Lula: a
isenção de Imposto de Renda.
Para conseguirmos estes dólares necessários para as empresas
estrangeiras remeterem para o exterior, priorizamos as exportações de
produtos agrícolas e minerais, que consomem violentamente nossos
recursos naturais. Ou seja: a sangria não é apenas de dólares, mas de
nosso solo, água e energia. Dentro desta lógica, a última proposta
feita por Lula na OMC, de abrir nosso país aos serviços e bens
industriais americanos - em troca de vendermos mais produtos agrícolas
- é a prova cabal de que a ALCA está mais viva do que nunca.
Por tudo isso é preciso impulsionar manifestações chamando o "Fora
Bush", Senhor das Armas, chefe do genocídio do povo iraquiano,
responsável direto pela destruição crescente da natureza, representante
dos exploradores e opressores dos povos latinoamericanos e brasileiro.
Por isso é vergonhoso e repugnante que o governo brasileiro o receba
como amigo e parceiro político. Por isso poupar a um significa poupar o
outro.
Executiva Nacional Partido Socialismo e Liberdade
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