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Sessão da CPMI dos Cartões Corporativos é esvaziada Imprimir
Mandato - Chico Alencar   
Qua, 21 de maio de 2008 16:39

O deputado Chico Alencar (RJ) considerou frustrante o fato da sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Cartões Corporativos ter sido esvaziada nesta manhã, 21 de maio, no Senado Federal. Os parlamentares continuariam a ouvir André Fernandes e José Aparecido Pires, acusados de envolvimento no vazamento do dossiê sobre os gastos pessoais do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mas a sessão foi encerrada por falta de quórum.

“Houve uma falta de paciência pra esperar dar o quórum; eu fiquei surpreso com o fim rápido dos trabalhos mal iniciados”, criticou o deputado, considerando estranho o fato de, por exemplo, o deputado Nilson Mourão ter saído antes da sessão ter início e do senador Flecha Ribeiro ter chegado, mas, mesmo faltando um parlamentar para obtenção do quórum, a presidente da CPMI, senadora Marisa Serrano, encerrar a sessão, apesar dos dois depoentes estarem presentes. “Mais do que estranho é um desleixo inaceitável”.

Para o deputado, não houve a tolerância de horário, como ocorreu ontem, quando os depoimentos foram iniciados e duraram mais de oito horas. Na reunião de hoje poderia ser feita a acareação, além da aprovação de requerimentos para convocação de pessoas mencionadas nos dois depoimentos, mas que só poderão acontecer na próxima semana. “A acareação deveria ter acontecido ontem. Agora, eles (os depoentes) terão mais tempo para combinar os depoimentos. É o adiamento de uma derrota, que seria uma iniciativa fundamental na CPMI”, avaliou.

Segundo o deputado, o esvaziamento da sessão de hoje, já considerado pela imprensa e por alguns parlamentares como o fim extra-oficial das atividades da CPMI, representa a falta de ânimo para investigar a questão. “A corporação, aqui, não quer investigar a fundo. Os gastos abusivos e inaceitáveis com cartões continuarão. Assim, a CPMI dos Cartões Corporativos está se dando um cartão vermelho”.

Depoimentos – Em uma sessão que durou mais de oito horas, ontem (20 de maio), os parlamentares da CPMI dos Cartões Corporativos ouviram André Fernandes, assessor do senador Álvaro Dias (PSDB), e José Aparecido Pires, ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil, acusados de envolvimento no vazamento do dossiê sobre os gastos pessoais do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Em depoimentos separados, ambos negaram terem repassado as informações para a imprensa.

Para o deputado Chico Alencar, membro suplente da CPMI, os depoimentos foram evasivos, recheados de mentiras e omissões. Questionados pelo deputado, Fernandes e Pires negaram a existência de qualquer articulação entre si para proteger os gastos feitos com os cartões no governo de FHC e no de Lula. Fernandes admitiu ter recebido, por email, os arquivos de Pires, e disse que somente repassou cópias impressas ao senador Álvaro Dias. Pires disse que o email saiu de seu computador na Casa Civil, mas afirmou que o envio foi um engano: “foi uma falha humana, um descuido”.

Entre as contradições está a realização de um almoço entre eles, com participação de mais uma ou duas pessoas, no Clube Naval, em Brasília, na segunda quinzena de março, quando a mídia já noticiava o vazamento. Segundo Fernandes, o assunto tratado foi o dossiê, que Pires estaria nervoso e teria afirmado que a responsabilidade da montagem do dossiê seria da secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra. Já Pires negou essa afirmação e, ao contrário, afirmou que o nervosismo era de Fernandes. “Eles estão em rota de colisão, com cada um dizendo que fala a verdade. Em casa que falta pão todo mundo grita e ninguém tem razão”, disse Chico Alencar.

 
 
 
 
 
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